Guilherme Pacheco afirma que a próxima eleição presidencial deveria ser orientada por duas questões: o que os candidatos pretendem fazer com o gasto público e como planejam combater a criminalidade. Para ele, as respostas são mais importantes do que a disputa ideológica, porque envolvem problemas que podem resultar em inflação, desemprego, medo e luto.
O autor relaciona o cenário atual às manifestações de 2013, que começaram associadas ao aumento de vinte centavos na tarifa de ônibus e depois incorporaram críticas à corrupção, aos gastos públicos e às prioridades do governo. Na avaliação de Pacheco, o país voltou a apresentar sinais fiscais preocupantes.
Ele cita que a dívida pública bruta passou de 71,7% do PIB para uma projeção próxima de 84%, com possibilidade de superar 100% do PIB no fim desta década. Também menciona o pagamento de juros equivalente a 8,8% do PIB e um déficit previsto de R$ 80 bi, apesar da meta de superávit de R$ 34 bi.
Os efeitos sobre a população
Pacheco usa a crise do governo Dilma Rousseff como exemplo dos efeitos que indicadores econômicos podem produzir na vida cotidiana. Após a reeleição em 2014, a economia encolheu cerca de 8% nos dois anos seguintes. A inflação medida pelo IPCA chegou a 10,67% em 2015, enquanto a taxa de desemprego subiu de 6,5% no último tri de 2014 para 12% dois anos depois. O país encerrou 2016 com 12,3 milhões de desempregados.
Para o autor, o próximo presidente deveria esclarecer quais despesas seriam cortadas ou reformadas, que trajetória pretende dar ao gasto público e qual resultado primário buscará.
Na segurança pública, Pacheco diz que propostas genéricas não bastam. Ele defende respostas para a reincidência, a demora dos processos, a atuação de organizações criminosas, o sistema prisional, as fronteiras e a inteligência financeira. Também questiona como seria feita uma reforma do STF e do restante do Judiciário.
A expectativa apresentada é a de que o próximo presidente reúna equipes qualificadas, faça um diagnóstico e mantenha a execução das medidas mesmo que os resultados demorem a aparecer.









