Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Investigações ligam aliados de Flávio Bolsonaro a crimes no Rio

Casos envolvem milícias, contravenção, Comando Vermelho, corrupção, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Histórico de Flávio Bolsonaro é marcado por várias acusações de ligações com o crime organizado

A trajetória política de Flávio Bolsonaro reúne homenagens e vínculos funcionais com pessoas citadas em investigações sobre crime organizado no Rio de Janeiro. Quando era deputado estadual, ele homenageou Adriano da Nóbrega, apontado pelo Ministério Público como integrante da milícia de Rio das Pedras e do grupo de extermínio Escritório do Crime. Flávio também empregou em seu gabinete a mãe e a então esposa do ex-policial, que morreu em 2020 durante uma operação policial na Bahia.

Nos últimos anos, outros nomes próximos ao grupo político do senador apareceram em apurações sobre milícias, contravenção e esquemas relacionados ao Comando Vermelho.

Planilhas e operações da Polícia Federal

Em 2022, a Polícia Federal apreendeu documentos atribuídos ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. O material incluía planilhas com valores associados a políticos e partidos. Entre os citados estavam Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar, Hélio Lopes, Alexandre Ramagem e Gutemberg Fonseca. O inquérito tem mais de quatro mil páginas e registra referências a 61 pessoas.

Os documentos foram encontrados em novembro de 2022, durante uma fase da Operação Smoke Free, que investigava o comércio ilegal de cigarros no Rio de Janeiro. Em 2026, o conteúdo passou a ser analisado na Operação Unha e Carne, voltada à infiltração do crime organizado na política fluminense e a esquemas de lavagem de dinheiro. Em uma das fases, a Polícia Federal apontou uma organização suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis para lavar recursos. Relatório do Coaf registrou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões e participação de agentes públicos.

Outra investigação é a Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. O caso apurou a infiltração de integrantes de uma organização ligada ao Comando Vermelho na administração pública fluminense, além de tráfico internacional de armas e drogas, contrabando, corrupção e lavagem de dinheiro.

O ex-deputado estadual TH Joias tornou-se réu na Justiça Federal em setembro deste ano, com outros acusados, por suspeitas relacionadas a corrupção, tráfico de drogas e contrabando. O MPF afirma que a organização tinha presença na Alerj e em órgãos do governo estadual.

Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, também é citado. Em agosto, o STF recebeu denúncia da PGR contra ele e TH Joias por suspeita de obstrução das investigações. A acusação afirma que informações sigilosas da Operação Zargun teriam sido repassadas antecipadamente a TH, permitindo a ocultação de provas.

Gutemberg Fonseca, ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor indicado por Flávio Bolsonaro, aparece em mensagens obtidas pela Polícia Federal. Os registros indicam que Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão e apontado pelos investigadores como integrante do Comando Vermelho, tratou de um encontro com Gutemberg para levar demandas e buscar “cobertura política”.

Segurança pública no debate eleitoral

Durante a campanha presidencial, Flávio Bolsonaro defendeu classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Especialistas consideram a proposta uma “cortina de fumaça” e demonstram preocupação com possíveis efeitos sobre a soberania nacional.

Na abertura da Assembleia Geral da ONU, ocorrida nesta terça-feira (22), o presidente Lula afirmou que apresentou a Donald Trump uma proposta de atuação conjunta dos dois países contra o crime organizado, mas disse que não aceitará qualquer tipo de intervenção no Brasil.

Entre as medidas do governo Lula estão a Lei Antifacção e a PEC da Segurança Pública. Sancionada em março deste ano, a lei criou o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, tipificou crimes de domínio social estruturado e ampliou mecanismos penais e patrimoniais contra organizações criminosas ultraviolentas, milícias e grupos paramilitares.

A PEC busca ampliar a integração entre União, estados e municípios na segurança pública. A proposta foi aprovada pela Câmara e está no Senado. A CCJ aprovou o relatório, mas ainda há emendas destacadas pendentes de votação.

O debate sobre políticas capazes de produzir resultados concretos é estudado por Alberto Kopittke, autor do Manual de Segurança Pública Baseada em Evidências. A obra reúne pesquisas brasileiras e internacionais sobre prevenção e redução da violência e defende a avaliação das políticas com base em dados e evidências científicas.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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