O governo do Irã cobrou dos países europeus uma reação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra seu território e responsabilizou Washington pela insegurança no Estreito de Ormuz. As declarações foram feitas pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, durante reuniões realizadas à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
As críticas constam de um comunicado da chancelaria iraniana. Araghchi se encontrou com representantes da França, dos Países Baixos e da Áustria, além dos chanceleres do Iraque e do Azerbaijão. As reuniões trataram das relações bilaterais, das tensões entre Irã e Estados Unidos e da situação regional.
Ao abordar a posição europeia, o ministro pediu que os países interrompam o apoio a Israel e trabalhem para impedir que o país fique impune pelas ações contestadas por Teerã. “As nações europeias que afirmam defender o Estado de Direito e os direitos humanos não podem permanecer em silêncio diante da flagrante agressão militar contra o Irã, nem podem apoiá-la”, afirmou.
Em uma conversa com o chanceler dos Países Baixos, Tom Berendsen, Araghchi criticou o que classificou como uma postura de dois pesos e duas medidas da Europa diante da crise regional. Berendsen destacou a importância da diplomacia.
O Estreito de Ormuz também esteve entre os temas discutidos. Para o governo iraniano, a insegurança na passagem marítima é resultado das ações dos Estados Unidos e de Israel. Teerã defende que a estabilidade da rota depende do encerramento das ações de Washington, apontadas pelo país como causa das tensões.
Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o Irã em 28 de fevereiro. Os ataques deixaram milhares de mortos, e Teerã respondeu com ações contra Israel e instalações americanas em países da região. Um cessar-fogo foi alcançado em abril.
Depois disso, os Estados Unidos voltaram a atacar alvos no território iraniano, enquanto permanecia o impasse nas negociações bilaterais. As divergências sobre a navegação em Ormuz estão entre os pontos que condicionam as tratativas.







