SÃO PAULO — A expansão dos ETFs ligados a criptoativos ampliou as formas de acesso ao Bitcoin no mercado brasileiro. Compra direta, custódia própria, fundos de índice, derivativos e ações de empresas que mantêm a criptomoeda no balanço estão entre as alternativas discutidas por executivos durante a B3 Week 2026.
No painel “Democratizando acesso: Ativos Digitais por meio de ETFs”, Guilherme Gomes, CEO da Oranje BTC, afirmou que a variedade de instrumentos é positiva. “Quanto mais formas e mais maneiras de você ter exposição ao Bitcoin e à sua economia, mais interessante”, disse. Samir Kerbage, da Hashdex, participou da conversa, mediada por Jackeline Melaines, da B3.
Diversificação e alocação
Melaines informou que a B3 já reúne mais de 40 ETFs ligados a criptoativos, com diferentes tipos de exposição. Ela também citou um levantamento de Datafolha, Paradigma e Hashdex que estima em cerca de 30 milhões o número de brasileiros com investimentos em cripto.
Para Gomes, o Bitcoin ainda enfrenta resistência entre investidores institucionais por ter surgido fora da estrutura financeira tradicional. Ao mesmo tempo, o executivo avalia que o ativo está cada vez mais integrado a esse sistema. Uma exposição pequena pode fazer parte de uma carteira diversificada, mas o percentual adequado depende do perfil de cada investidor.
Kerbage destacou a baixa correlação histórica dos criptoativos com outras classes de ativos. No Brasil, segundo ele, essa relação ficou próxima de zero em determinados períodos, o que pode melhorar a combinação entre risco e retorno quando a exposição é disciplinada.
O executivo recomendou uma estratégia de alocação e rebalanceamento, em vez da tentativa de prever o próximo movimento do Bitcoin. Nesse modelo, o investidor reduz a posição após altas e recompõe a parcela depois de quedas para preservar o percentual definido.
Formas de acesso
Para investidores que não querem escolher moedas individualmente, Kerbage defendeu o uso de índices diversificados, com critérios de elegibilidade, liquidez e presença institucional. Na avaliação dele, antecipar quais projetos serão vencedores é difícil em uma tecnologia ainda emergente.
Gomes diferenciou a custódia própria, que exige responsabilidade pela segurança das chaves, dos ETFs, comprados pelo home broker e custodiados por instituições especializadas mediante taxa de administração. Também citou empresas listadas que mantêm Bitcoin em seus balanços.
Após lançar contratos futuros de Bitcoin, Ether e Solana, a B3 passou a oferecer derivativos associados a ETFs de cripto. Segundo Kerbage, opções e futuros podem ser usados em estratégias de proteção, geração de renda e exposição à alta do ativo sem a necessidade de carregar toda a volatilidade.
A B3 Week 2026 ocorre entre 14 e 16 de setembro, em São Paulo. O evento está em sua sétima edição e reúne discussões sobre economia, regulação, investimentos, dados e tecnologia.








