SÃO PAULO — A indústria de ETFs já tem mais de 200 fundos locais e mais de 300 opções globais acessíveis por meio de BDRs no Brasil. Para executivos do JPMorgan, da Global X e da B3, o principal desafio agora é orientar investidores, assessores e consultores sobre como combinar esses instrumentos dentro das carteiras.
A discussão ocorreu nesta quarta-feira (16), durante o painel “Para onde vão os ETFs: as tendências que moldam a próxima década”, realizado na B3 Week 2026. Participaram Isabella Nunes, do JPMorgan Asset Management, Flavio Vegas, da Global X, e João Morbim, da B3.
Produtos globais e estratégias temáticas
Vegas afirmou que os ETFs globais ampliam o acesso a setores, empresas e tendências com pouca presença na Bolsa local. Entre os exemplos citados estão inteligência artificial, eletrificação, transição energética, terras raras e defesa, temas que podem ser acompanhados em horizontes de 10, 15 ou 20 anos.
Os ETFs temáticos, porém, não precisam ocupar a parte central do portfólio. A Global X os classifica como uma parcela de “satélite” da carteira. Para investidores de perfil mais arrojado, a referência utilizada pela gestora fica em aproximadamente 10% a 15% das aplicações, sobretudo quando essas estratégias têm baixa correlação com índices amplos como S&P 500 e Nasdaq.
Gestão ativa ganha espaço
A mudança no mercado também envolve o papel da gestão. No cenário global, os ETFs ativos representam cerca de 10% do mercado, mas recebem aproximadamente 40% dos novos recursos destinados aos ETFs, segundo Isabella Nunes.
Esses fundos se diferenciam dos produtos passivos porque permitem que uma equipe escolha empresas, títulos e exposições conforme uma estratégia definida. Nunes avaliou que o Brasil pode seguir caminho semelhante ao dos Estados Unidos, onde mudanças regulatórias realizadas nos últimos anos facilitaram a criação de ETFs ativos, embora com alguns anos de defasagem.
Na análise da executiva, cada estrutura exige critérios diferentes. Nos ETFs tradicionais, o investidor deve observar custo, liquidez e a capacidade de acompanhar o índice de referência. Nos produtos smart beta, ganha importância a metodologia de formação da carteira. Já nos ETFs ativos, a avaliação se concentra na equipe responsável, no processo de investimento e na capacidade de gerar retorno adicional.
Distribuição pode mudar
Outra frente de transformação está no relacionamento entre assessores e investidores. Nunes destacou o avanço, nos Estados Unidos, de modelos em que o profissional recebe pela gestão ou pelo aconselhamento do patrimônio, e não por uma comissão ligada à venda de cada produto.
Nesse formato, carteiras-modelo compostas por ETFs podem ganhar espaço. A mudança permitiria ao assessor dedicar mais tempo ao relacionamento com o cliente, em vez de concentrar o trabalho na seleção individual de ativos.
A B3 Week 2026 acontece entre 14 e 16 de setembro, em São Paulo. Em sua sétima edição, o evento reúne representantes do mercado de capitais brasileiro e de instituições internacionais para discutir economia, tendências globais, regulação, investimentos, dados e tecnologia.








