O Itaú BBA afirma que investidores estrangeiros mantêm exposição neutra a levemente acima da média ao Brasil, apoiados por avaliações consideradas atrativas e pelos benefícios de diversificação. Em um roadshow nos Estados Unidos, o banco identificou interesse crescente por ações brasileiras também entre estratégias globais e internacionais, além dos fundos dedicados a mercados emergentes e à América Latina.
O Brasil é visto por esses investidores como um diversificador diante da concentração de portfólios globais em empresas ligadas à inteligência artificial. A exposição a instituições financeiras, commodities e à economia doméstica aparece como uma forma de ampliar a composição das carteiras.
O relatório foi elaborado após reuniões com 28 investidores institucionais em Nova York, Boston e Connecticut. Apesar do interesse, o Itaú BBA diz que as carteiras continuam defensivas por causa das incertezas fiscais, da desaceleração do crescimento e das preocupações com o ciclo de crédito. Entradas mais fortes no mercado brasileiro dependeriam de maior confiança na redução dos juros e de melhor visibilidade sobre as contas públicas.
Setores e empresas preferidos
Os analistas Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Matutani apontam o setor financeiro como a principal exposição ao Brasil, com preferência por empresas de qualidade. BTG e a fintech Quality Bank aparecem entre as apostas mais consensuais. O Bradesco é citado como a principal tese de recuperação de valor.
As opiniões sobre o Nubank estão divididas, em razão de avaliações, riscos do ciclo de crédito e expansão nos Estados Unidos. O relatório também registra a retomada do interesse por commodities e exportadoras, impulsionada por tendências globais e pela demanda por energia e metais associada à inteligência artificial.
A Petrobras é apontada como a exposição preferida a commodities no Brasil, com destaque para os dividendos e o crescimento da produção no pré-sal. A Embraer permanece como uma empresa de receita global vista com alta convicção. A Vale recebeu menos atenção no roadshow dos Estados Unidos do que na Ásia.
Investidores interessados em capturar o desempenho do Brasil buscam empresas beneficiadas por juros menores e por uma melhora fiscal. Entre os nomes mencionados estão BTG, B3, XP, Localiza e construtoras selecionadas, como a Cyrela. O banco também observou interesse por empresas menores, condicionado à liquidez, à geração de caixa e a revisões positivas de lucro.
Fora do Brasil, o Peru é o país preferido do Itaú BBA na América Latina, com destaque para a Credicorp. O México aparece com exposição neutra ou abaixo da média, enquanto a Argentina permanece concentrada em energia.








