SÃO PAULO — Três áreas de escape administradas pela Arteris em rodovias de São Paulo e do Paraná já salvaram 1.500 vidas. A concessionária investiu R$ 38 milhões na implantação das estruturas, instaladas em trechos de serra da BR-376/PR e da BR-116/SP.
As áreas são usadas por caminhões e ônibus que perdem a capacidade de frenagem durante descidas íngremes. O motorista deve conduzir o veículo até uma faixa de acesso sinalizada. A pista termina em uma caixa com argila expandida, também chamada de cinesita, brita ou cascalho. O atrito dos materiais reduz a velocidade, e alguns dispositivos têm aclive para aproveitar a ação da gravidade.
Dimensões e localização
O tamanho dessas estruturas varia conforme o trecho. Na Via Anchieta, em São Paulo, uma área tem 85 metros. Na BR-376, no Paraná, há estruturas com mais de 240 metros. A largura costuma ser de 5 metros. A caixa começa com aproximadamente 15 centímetros de profundidade e pode chegar a 1,5 metro na parte final, permitindo que o veículo afunde gradualmente até parar.
Há áreas de escape na Via Anchieta, nos quilômetros 42,6 e 49, no sentido litoral; na BR-376, em Guaratuba, nos quilômetros 667,3 e 671,7, no sentido Santa Catarina; e na BR-116, na Serra do Cafezal, no quilômetro 353, em Miracatu, no sentido Sul.
Também existem estruturas na BR-227, no quilômetro 37,9, em Morretes; na SC-418, nos quilômetros 15 e 17, em Joinville; na BR-146, na Serra do Salitre; e no Anel Rodoviário de Belo Horizonte.
Falhas nos freios
A Polícia Rodoviária Federal registra 300 acidentes por ano em rodovias federais envolvendo caminhões com algum problema no sistema de freios. Em fiscalizações na Serra de São Vicente, no Mato Grosso, 53% dos caminhões pesados vistoriados apresentaram falhas no sistema.
Um caso ocorreu em maio de 2025, durante uma viagem entre Cuiabá (MT) e Florianópolis (SC). Adriano Martins, piloto de corridas, estava com a família no ônibus da equipe AVM Racing quando uma cuíca do eixo traseiro se rompeu. José Augusto Martins, motorista do veículo, identificou a falha e levou o ônibus para uma área de escape.
O veículo transportava equipamentos e um carro de corrida, além de tracionar uma carreta com outro carro. Houve danos leves. “A área de escape foi nossa salvação”, afirmou Adriano. O ônibus, com 12 metros e carroceria Marcopolo, foi retirado da caixa de argila expandida por uma escavadeira da Arteris e depois rebocado por um caminhão.
As três áreas da Arteris são monitoradas por câmeras 24h por dia. Quando um veículo entra no espaço, profissionais do Centro de Controle e Segurança Operacional mobilizam equipes para atender a ocorrência. Cesar Sass, diretor-superintendente da Arteris Litoral Sul, disse que o compromisso da empresa é com a preservação da vida.








