Doenças do fígado podem avançar por anos sem causar dor ou manifestações evidentes. Mesmo assim, alguns sinais persistentes merecem investigação, especialmente quando aparecem em pessoas com fatores de risco para problemas hepáticos.
O cansaço contínuo sem causa aparente está entre os alertas possíveis. Embora também ocorra em outras doenças, a fadiga pode estar relacionada à inflamação ou à fibrose, já que o fígado participa do metabolismo energético, da regulação dos processos inflamatórios e da eliminação de substâncias do organismo.
O aumento progressivo da gordura abdominal é outro marcador importante. Ele está associado à resistência à insulina, ao diabetes tipo 2, a alterações do colesterol e à doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD). A gordura visceral não é um sintoma diretamente provocado pelo fígado, mas pode indicar risco metabólico.
Sinais na pele e alterações cognitivas
Coceira persistente, ressecamento intenso, vermelhidão nas palmas das mãos e manchas escurecidas no pescoço e nas axilas podem acompanhar alterações hepáticas ou doenças metabólicas. A acantose nigricans, como são chamadas essas manchas, costuma estar relacionada à resistência à insulina. A coceira intensa pode ocorrer quando o fluxo da bile está comprometido.
Dificuldade de concentração, falhas de memória, irritabilidade, sonolência durante o dia, inversão do ciclo do sono e confusão mental podem indicar encefalopatia hepática, uma complicação de doenças avançadas. Esses sintomas exigem avaliação médica imediata, explica a gastroenterologista Lilian Curvelo, do Einstein Hospital Israelita.
Sensação de peso ou pressão no lado direito do abdômen, abaixo da costela e principalmente após as refeições, pode ocorrer quando há aumento do fígado. O sinal pode estar presente em casos de esteatose, hepatites ou congestão hepática, mas a dor isolada não confirma uma doença hepática.
Pele e olhos amarelados, urina escura, fezes muito claras, inchaço na barriga e nas pernas, sangramentos fáceis, manchas roxas sem trauma, perda de massa muscular e emagrecimento sem explicação são sinais de alarme. A avaliação também é necessária quando os sintomas persistem ou quando há obesidade abdominal, diabetes, colesterol elevado, hipertensão, consumo frequente de álcool ou uso de medicamentos e suplementos que possam lesionar o fígado.
Exames e diagnóstico precoce
A investigação começa com exames de sangue para medir enzimas e outros marcadores da função hepática. Esses testes, porém, podem não detectar todos os casos. É possível ter gordura no fígado ou fibrose mesmo com enzimas normais. Por isso, podem ser necessários exames de imagem, como ultrassonografia abdominal e elastografia hepática, além de testes específicos para avaliar a fibrose.
A identificação precoce permite controlar muitas doenças hepáticas e, em alguns casos, fazê-las regredir. Na doença hepática gordurosa, perder peso, praticar atividade física regularmente, melhorar a alimentação e controlar diabetes, colesterol e pressão arterial ajudam a reduzir a gordura, a inflamação e parte da fibrose. Nas hepatites virais, os tratamentos conseguem controlar a doença e, no caso da hepatite C, curar a infecção.
Pessoas com fatores de risco devem buscar avaliação preventiva mesmo quando se sentem bem. O diagnóstico antecipado pode evitar a progressão da doença, afirma Lilian Curvelo.








