A dor que se repete no mesmo ponto, piora durante a corrida ou altera a passada não deve ser tratada como parte normal do esporte. Esses sinais podem indicar o início de uma lesão e precisam ser investigados, principalmente quando permanecem no dia seguinte ao treino.
O ortopedista Moisés Cohen, do Einstein Hospital Israelita, explica que a corrida submete o corpo a impactos repetidos. Com aumento gradual da carga, músculos, tendões, ossos e articulações conseguem se adaptar. Quando a evolução é acelerada, porém, o organismo pode não acompanhar a exigência dos treinos.
Entre as ocorrências mais comuns estão a dor na parte da frente do joelho, associada à síndrome femoropatelar; a síndrome da banda iliotibial, que provoca dor na lateral do joelho; a canelite; a tendinopatia do tendão de Aquiles; a fascite plantar; as lesões musculares; e as fraturas por estresse.
A dor muscular tardia, geralmente difusa e simétrica, costuma desaparecer em até dois dias. Já uma dor bem localizada, recorrente ou progressiva merece atenção. Inchaço, perda de força e dor óssea em um ponto específico também são sinais de alerta. “O corredor não precisa ter receio de toda dor, mas precisa respeitar a dor que muda a mecânica, se repete e progride”, afirma Cohen.
Treino e fortalecimento
Um dos principais fatores de risco é elevar ao mesmo tempo a distância, a velocidade e a frequência das corridas, especialmente sem acompanhamento profissional. A orientação é aumentar a carga aos poucos, respeitar o descanso e incluir o fortalecimento muscular na rotina.
O trabalho de glúteos, quadril, core, quadríceps, panturrilhas e pés pode melhorar a absorção do impacto e contribuir para a proteção das articulações. O médico ressalta que o tênis confortável é importante, mas não corrige excesso de treino, falta de descanso ou fraqueza muscular. “Nenhum modelo compensa treino exagerado, falta de descanso ou fraqueza muscular”, alerta.
Para quem está começando, uma opção é alternar caminhada e corrida, treinar apenas duas ou três vezes por semana e manter um ritmo confortável. Também é recomendado evitar provas antes de construir uma base adequada.
A corrida de rua reuniu quase 12 milhões de pessoas no Brasil entre 2023 e 2025, e a estimativa é de crescimento. A modalidade pode melhorar o condicionamento, ajudar no controle do peso, reduzir o risco cardiovascular e favorecer o sono e a qualidade de vida. O cuidado com a progressão dos treinos é parte da adaptação necessária para praticá-la com segurança.








