Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Bronquiolite ganha segundo pico sazonal após a pandemia, aponta estudo

Pesquisa com 2.363 crianças internadas em São Paulo identificou aumento de casos também na primavera, além do pico tradicional no outono.

Bronquiolite ganha segundo pico sazonal após a pandemia, aponta estudo
Foto: graphixchon/Adobe Stock Images

O vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite em bebês menores de 2 anos, passou a apresentar um segundo pico de circulação na primavera, entre outubro e novembro. Antes da pandemia, a maior concentração de casos ocorria no outono, entre o fim de março e o início de julho.

A mudança foi identificada em um estudo publicado no Jornal de Pediatria, com base nos prontuários de 2.363 crianças de 1 a 24 meses internadas por bronquiolite no Sabará Hospital Infantil, em São Paulo. A pesquisa analisou os anos de 2018, 2019, 2022 e 2023.

Efeito das medidas contra a covid-19

De acordo com Gustavo Wandalsen, chefe do Departamento de Pesquisa em Ciências da Saúde do Instituto Pensi e autor principal do estudo, a alteração reflete as medidas adotadas para conter a covid-19. O isolamento social e o fechamento de creches interromperam a circulação habitual dos vírus e modificaram a exposição imunológica das crianças.

Com a retomada das atividades, houve desequilíbrio na transmissão viral e o surgimento de surtos em períodos diferentes dos habituais. O fenômeno também foi observado na Argentina, no Japão, no Canadá e em outros países.

A tendência é de retorno ao padrão anterior à pandemia, mas mudanças de temperatura, chuva e umidade podem influenciar a circulação do VSR. A vacinação de gestantes também tem potencial para modificar esse cenário. Os anticorpos maternos podem proteger os bebês nos primeiros meses de vida, dificultando a circulação do vírus e reduzindo formas graves da infecção.

Internações aumentaram entre os menores

O estudo registrou crescimento na proporção de crianças de até 6 meses internadas em UTIs. O índice passou de 51,7%, em 2018 e 2019, para 61,9%, em 2022 e 2023.

Segundo Wandalsen, a internação em terapia intensiva não significa necessariamente maior gravidade. Crianças pequenas podem ser encaminhadas para esses setores por causa do risco e para receber acompanhamento mais próximo. O tempo de permanência no hospital permaneceu igual ao do período anterior à pandemia, enquanto a proporção de complicações caiu de 39,6% para 31,8%.

Regina Grigolli Cesar, coordenadora médica da UTI do Sabará Hospital Infantil e uma das autoras, afirmou que a mudança dificulta a preparação antecipada das unidades. “Com a mudança, o aumento das internações se torna mais imprevisível”, disse.

A pesquisa foi realizada em um único hospital privado de São Paulo, sem atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, os resultados não podem ser generalizados para todo o sistema de saúde brasileiro.

Sintomas e prevenção

A bronquiolite costuma começar com sintomas semelhantes aos de um resfriado, como febre, dor de garganta, dor de cabeça e coriza. Nos casos graves, podem ocorrer dificuldade para se alimentar, cianose, apneia, vômitos, irritabilidade e sonolência.

Crianças prematuras ou com doenças cardíacas ou pulmonares têm maior risco de desenvolver quadros complicados. Não há tratamento medicamentoso específico: o atendimento se concentra no controle dos sintomas. Quando necessário, a hospitalização permite o uso de oxigênio e outras medidas de suporte.

A vacinação de gestantes é oferecida gratuitamente pelo SUS e protege o bebê nos primeiros meses de vida. Não há, atualmente, vacina contra o VSR indicada diretamente para bebês, mas eles podem receber anticorpos monoclonais para ajudar a prevenir formas graves da infecção.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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