SÃO PAULO — Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que até 400 mil mortes poderiam ter sido evitadas durante a pandemia de covid-19 e criticou a condução da crise pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. As declarações foram feitas na manhã deste sábado, 5, durante visita ao Hospital de Amor de Barretos.
Lula disse que não era necessário que o governo soubesse conduzir sozinho a pandemia, mas que deveria ter seguido as orientações científicas. “A única coisa que se pedia: ouça a ciência”, afirmou.
Vacinação e atendimento público
O presidente também criticou declarações de Bolsonaro contra as vacinas. Sem mencionar nominalmente o ex-presidente nesse trecho, Lula afirmou: “Não desmereça a vacina, pelo amor de Deus”. Em seguida, citou falas segundo as quais a vacina faria uma pessoa virar gay ou jacaré e classificou esse tipo de declaração como crime.
O Brasil registrou mais de 700 mil mortes por coronavírus durante a pandemia. Os números mencionados por Lula são os mesmos de estudos apresentados na CPI da Covid em 2021. As análises indicaram que até 400 mil óbitos poderiam ter sido evitados caso o país tivesse seguido políticas adotadas, em média, por outras nações.
Durante a visita, Lula também falou sobre a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) na Constituição Federal de 1988. Segundo o presidente, parte da iniciativa privada se opôs à criação do sistema. Ele afirmou que o SUS ganhou destaque durante a pandemia e atribuiu a médicos e enfermeiros a responsabilidade por impedir mais mortes.
Lula comparou ainda o atendimento de saúde pública no Brasil aos serviços disponíveis nos Estados Unidos da América do Norte. Para ele, a população pobre dos Estados Unidos não tem acesso ao que existe no Brasil.
O Hospital de Amor de Barretos oferece atendimento oncológico gratuito a pacientes do SUS. Lula visitou o local acompanhado da primeira-dama Janja da Silva e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Depois, tinha agenda prevista em São José do Rio Preto (SP).








