BERLIM — O chanceler Friedrich Merz enfrenta pressão após a Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistar uma vitória expressiva nas eleições regionais da Saxônia-Anhalt. O resultado pode abrir caminho para o primeiro governo estadual populista de direita na Alemanha desde a era nazista.
A votação ocorreu no domingo, 6, no estado do leste alemão. A AfD ficou perto da maioria, depois de mais que dobrar sua participação nos votos. Já o apoio à União Democrata Cristã (CDU), partido de centro-direita liderado por Merz, caiu pela metade. A legenda governava a Saxônia-Anhalt nos últimos 24 anos.
Merz chegou ao poder prometendo enfraquecer a AfD, mas não conseguiu cumprir o compromisso. Após o resultado, afirmou estar “profundamente consternado” e disse que sua determinação em seguir pelo caminho das reformas permanecia intacta. O chanceler também declarou que tentará explicar melhor suas medidas.
Negociações para formar o governo
O candidato da AfD ao governo estadual, Ulrich Siegmund, ainda busca assumir o cargo. Ele afirmou que o resultado representa um mandato para formar o governo e disse que pretende procurar apoio de todas as novas bancadas do parlamento estadual, além de parlamentares individualmente.
A AfD poderia governar em coligação com o partido de extrema esquerda BSW, que recebeu 5,3% dos votos. As duas siglas compartilham posições pró-Rússia e oposição à imigração, mas divergem em outros temas. O principal candidato do BSW, Thomas Schulze, reiterou a disposição de ajudar um governador da AfD a assumir o cargo.
Para excluir a AfD do governo, CDU, Social-Democratas, Verdes, Partido da Esquerda e BSW teriam de formar uma coalizão. A aliança reuniria cinco partidos e seria considerada incomum, complicada e sujeita à instabilidade. Também existe a possibilidade de parlamentares eleitos por outras legendas migrarem para a AfD; seriam necessários apenas três votos para alcançar a maioria.
A AfD já venceu uma eleição estadual na Turíngia, há dois anos, mas não chegou a governar. Na ocasião, um governador da CDU assumiu com um governo minoritário, enquanto a AfD ficou distante da maioria. Os principais partidos alemães mantêm uma barreira contra a cooperação com a legenda.
Repercussão nacional e internacional
Classificada pela agência de inteligência interna alemã como grupo extremista em algumas regiões, a AfD é o maior partido de oposição no parlamento nacional. A legenda é mais forte no leste do país, região anteriormente comunista e menos próspera, onde fica a Saxônia-Anhalt.
O partido defende posições pró-Rússia e radicalmente contrárias à imigração. Sua vitória foi comemorada por siglas de extrema direita em outros países europeus e ocorre em um período de descontentamento com o governo nacional, que ainda não convenceu os eleitores de que pode impulsionar a economia estagnada.
O resultado também aumenta a pressão sobre Merz em meio à agressão da Rússia contra a Ucrânia, a uma suspeita de campanha de sabotagem contra países da Otan e às relações difíceis com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Elon Musk parabenizou a AfD pela vitória em sua plataforma X. Siegmund respondeu em inglês que acolheria a oportunidade de uma cooperação forte e construtiva caso o partido assumisse a responsabilidade pelo governo estadual.








