BERLIM — Os alemães votam neste domingo, 20, para escolher deputados em dois estados, em eleições que podem ampliar a pressão sobre o governo do chanceler Friedrich Merz. A AfD, de extrema direita, aparece fortalecida nas pesquisas, enquanto a extrema esquerda também disputa espaço em uma das regiões.
Quase quatro milhões de eleitores poderão votar até 18h00 (13h00 de Brasília). Merz, 70 anos, convocou uma reunião de crise com dirigentes da CDU, seu partido de centro-direita, para avaliar os resultados em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. O chanceler está no poder há 16 meses e cancelou uma viagem à Assembleia Geral da ONU para lidar com os possíveis efeitos da votação.
A AfD derrotou a CDU na Saxônia-Anhalt há apenas duas semanas. O partido é simpatizante dos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Vladimir Putin, da Rússia. A derrota coincidiu com uma queda nos índices de aprovação de Merz e com dificuldades do governo para aprovar reformas econômicas e sociais em parceria com o SPD, partido social-democrata.
As pesquisas apontam crescimento da AfD, mas sem condições de formar governo em nenhum dos dois estados. Na Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a disputa principal envolve o SPD, liderado pela chefe de governo Manuela Schwesig, e a AfD. Pesquisa da ZDF indicou 36% para a AfD, 37% para o SPD e 6% para a CDU.
Disputas regionais e aprovação
Em Berlim, a CDU aparece tecnicamente empatada com o Die Linke, de extrema esquerda. O partido defende medidas drásticas para enfrentar a crise de moradia e tem apoio entre os jovens.
Ao assumir o cargo em maio do ano passado, Merz prometeu fortalecer a economia, reconstruir as Forças Armadas como elemento de dissuasão diante da Rússia e reduzir a imigração irregular. A AfD, porém, lidera as pesquisas nacionais, enquanto a aprovação do chanceler está um pouco acima de 10%.
O pesquisador Roland Abold, do instituto Infratest Dimap, afirmou que a situação pessoal de Merz é “bastante dramática”. Em pesquisa de setembro, 13% disseram estar satisfeitos com a atuação política do chanceler, o menor índice registrado para um chefe de governo em exercício, segundo Abold.
Analistas também associam as dificuldades às guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, ao aumento dos preços dos combustíveis, à inflação e à concorrência industrial da China. Para Holger Schmieding, economista-chefe do banco Berenberg, o aumento nos preços do petróleo e o debate sobre o futuro do setor agravam o cenário. Ainda assim, ele considera mais provável que Merz complete o mandato até 2029.








