A AfD (Alternativa para a Alemanha) terminou em primeiro lugar nas eleições estaduais de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste da Alemanha, realizadas neste domingo (20), segundo pesquisas de boca de urna. O resultado aumenta a pressão sobre o chanceler Friedrich Merz, cujo partido teve desempenho abaixo dos principais concorrentes.
A AfD, partido de inspirações nazistas, teria recebido 37% dos votos. Os social-democratas de centro-esquerda ficaram com 35,5%, enquanto os conservadores ligados a Merz alcançaram 5,5% e ultrapassaram por pouco o limite mínimo para entrar no Parlamento estadual.
Apesar da liderança, a AfD dificilmente assumirá o governo do estado. As demais legendas rejeitam a formação de uma aliança com o partido.
Merz classificou o resultado como um desastre em declarações transmitidas pela televisão, mas afirmou que continuaria no cargo. O desempenho, se confirmado, será o pior obtido pelo partido do chanceler em uma eleição estadual desde 1949. Também representará mais uma vitória da AfD em primeiro lugar em uma disputa estadual neste mês.
Resultado em Berlim
Em outra eleição realizada neste domingo, em Berlim, o partido de esquerda Linke alcançou 24,5%. Os conservadores de Merz obtiveram 20%, e a AfD ficou com 16%.
O futuro político de Merz permanece em suspenso. Na semana passada, ele recebeu o apoio de oito governadores conservadores, mas enfrenta baixos índices de aprovação e reformas impopulares. A vitória anterior da AfD na Saxônia-Anhalt também aumentou as dúvidas sobre sua permanência.
Merz convocou uma reunião do partido para este domingo, com o objetivo de discutir os próximos passos. As eleições em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim ocorreram após a disputa de 6 de setembro na Saxônia-Anhalt, onde a AfD ficou perto de conquistar a maioria absoluta.
A AfD defende medidas duras para deportar estrangeiros sem direito de permanência na Alemanha, a retomada de laços energéticos com a Rússia e o abandono do euro. O partido, antes um movimento eurocético marginal, tornou-se a legenda mais popular do país e considera a eleição de 2029 um objetivo nacional.
O avanço da AfD também voltou a colocar em debate a estratégia de “barreira de proteção”, adotada pelos principais partidos para evitar acordos de coalizão com a legenda.








