As eleições estaduais realizadas neste domingo (20) na Alemanha colocam o chanceler Friedrich Merz sob nova pressão. A expectativa é de avanço da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de inspiração nazista, enquanto o resultado pode definir se Merz continuará no poder e dará sequência às suas reformas.
A votação ocorre em Mecklenburg-Vorpommern, região predominantemente rural e menos próspera do leste alemão, e em Berlim. O pleito acontece duas semanas depois de a AfD quase conquistar a maioria em Saxônia-Anhalt, onde passou a ter condições de tentar formar o primeiro governo regional de inspiração nazista no país desde a Segunda Guerra Mundial.
Pressão sobre Merz
A autoridade do chanceler foi afetada pela derrota expressiva de seu partido para a AfD nas eleições de 6 de setembro. O resultado surpreendeu alemães que acreditavam que o país havia desenvolvido resistência ao nacionalismo e às ideias de superioridade racial.
A AfD é esperada para obter ganhos significativos na votação, mas não tem uma rota considerada realista para chegar ao poder em Berlim. Em Mecklenburg-Vorpommern, o partido enfrenta um governador de centro-esquerda, em uma disputa apontada como mais difícil do que a enfrentada contra o partido de Merz em Saxônia-Anhalt.
A União Democrata Cristã, legenda de centro-direita de Merz, corre o risco de perder a prefeitura de Berlim. Se isso ocorrer, poderá ficar, pela primeira vez, sem assentos em uma legislatura estadual.
Merz, de 70 anos, assumiu a liderança da Alemanha há 16 meses, prometendo revitalizar uma economia que cresceu pouco nos últimos anos. Ele não conseguiu melhorar o ânimo dos alemães e se tornou profundamente impopular.
O desempenho da AfD em Saxônia-Anhalt enfraqueceu ainda mais a posição do chanceler. Nas últimas duas semanas, houve pedidos, inclusive dentro de seu partido, para que ele fosse substituído. Nenhum aliado de destaque defendeu publicamente sua saída, e muitos alertaram contra os “debates de pessoal”.
Merz também cancelou uma viagem planejada para Nova York na semana que vem, onde participaria da Assembleia Geral da ONU.








