Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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PF investiga suposta venda de influência por deputado junto a tribunais superiores

Decisão de Dino cita contratos de honorários e cessão de crédito ligados a Cezinha de Madureira e duas advogadas.

PF investiga suposta venda de influência por deputado junto a tribunais superiores
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A terceira fase da Operação Transparência investiga a suspeita de que o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) tenha comercializado acesso e influência sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Polícia Federal afirma que os pagamentos teriam sido formalizados em contratos de honorários e de cessão de crédito firmados por advogadas ligadas ao parlamentar, entre elas sua mulher, Valéria Rodrigues Linhares.

Deflagrada nesta segunda-feira, 14, a operação cumpriu mandados de busca em endereços no Distrito Federal e em São Paulo ligados ao deputado e à advogada. Cezinha não tem habilitação para atuar como advogado, conforme decisão do ministro Flávio Dino que autorizou as medidas.

Dino registrou que, até o momento, não há elementos indicando “solicitação, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por integrantes do Poder Judiciário”. Em decisão de 27 páginas, o ministro afirmou que o parlamentar aparentaria usar a ascendência do cargo para criar em terceiros a percepção de que teria influência sobre magistrados de tribunais superiores.

Como funcionaria a atuação investigada

A investigação se baseia também em diálogos extraídos de celulares apreendidos nas primeiras fases da operação. Para a PF, as mensagens indicam a atuação coordenada de três pessoas, com funções definidas.

Mariângela Fialek, conhecida como Tuca e ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), seria responsável por captar e formalizar causas, além de elaborar memoriais. Valéria Rodrigues Linhares redigiria, revisaria e assinaria contratos de honorários e de cessão de crédito, enquanto sinalizaria o andamento dos assuntos. Ao deputado caberia, segundo os investigadores, o contato direto com ministros do STF e do STJ.

O celular de Mariângela foi apreendido em dezembro de 2025. A análise das mensagens levou os investigadores a apontar um arranjo paralelo para a destinação de verbas públicas. Em uma dinâmica descrita pela PF, Fialek encaminharia peças, memoriais ou atualizações processuais; depois, Cezinha diria que havia falado, despachado ou pedido algo a um ministro.

Na sequência, ela cobraria informações sobre o resultado. Os contratos de honorários de êxito, ainda conforme a investigação, envolveriam valores incompatíveis com uma atuação apenas técnica e estariam vinculados ao resultado dos julgamentos.

Dinheiro apreendido

A suspeita também é relacionada à apreensão de R$ 510 mil em espécie com Valéria Linhares. Ela tentou embarcar para Brasília pelo Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em agosto, quando o dinheiro foi identificado no raio-X e recolhido pela Polícia Federal.

Para Dino, a remuneração elevada parece afastar a hipótese de um mero ato político. Cezinha de Madureira ainda não havia se manifestado sobre a investigação.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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