O ministro André Mendonça afirmou que a divulgação, por Alexandre de Moraes, de relatórios internos da Polícia Federal prejudicou as investigações do caso Master envolvendo Antonio Rueda, presidente do União Brasil, e ACM Neto, candidato do partido ao governo da Bahia. A avaliação está em decisão na qual Mendonça afastou o diretor-geral da PF nesta terça-feira, 8.
De acordo com a decisão, um relatório da PF indicava que Mendonça teria sugerido separar as apurações sobre Rueda e ACM Neto em processos específicos no Supremo Tribunal Federal. O documento também apontava que o caso estava “pendente de decisão judicial”, etapa relacionada ao aprofundamento das investigações e à possibilidade de adoção de medidas contra os alvos.
Para Mendonça, a divulgação do conteúdo sigiloso permitiu que os potenciais alvos soubessem antecipadamente da possível realização de medidas cautelares e instrutórias. Segundo o ministro, isso comprometeu a eficácia das providências e prejudicou as investigações.
Questionamentos sobre os relatórios
Mendonça classificou o relatório como apócrifo, sem indicação expressa de procedência, autoria e data de elaboração. Também afirmou que o documento apresentava abstrações, elucubrações e juízos subjetivos.
Na quinta-feira, 3, Moraes divulgou trechos de um relatório de inteligência da PF que dizia que Mendonça demonstrava interesse no início de uma investigação formal sobre o Banco Master e o caso do INSS. O próprio documento se definia como “sem valor probatório”.
Moraes utilizou o relatório para acusar Mendonça de crime de responsabilidade, improbidade administrativa e abuso de autoridade. O documento não tinha cabeçalho oficial da PF nem assinatura e reunia relatos anônimos sobre supostas tentativas de interferência de Mendonça em acordos de delação da PF relacionados ao caso do INSS.
O relatório também mencionava, sem identificar a fonte, que o ministro não confiava na atuação do diretor-geral da PF ou do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Na decisão, Mendonça afirmou haver “monitoramento sistemático” e “coleta dirigida” da área de inteligência da PF sobre ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, durante mais de 30 dias. O ministro descreveu a prática como “arapongagem” institucional e determinou providências diante da produção e divulgação dos relatórios.







