NOVA YORK — O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Mario Lubetkin, defendeu que os países em desenvolvimento tenham maior participação na criação das regras internacionais, além de mais acesso a financiamento e tecnologia. A declaração ocorreu durante uma reunião do G77+China na 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU.
O Uruguai ocupa temporariamente a presidência do grupo, que reúne 134 países. Lubetkin conduziu o encontro nessa condição, com a participação do secretário-geral da ONU, António Guterres. O chanceler classificou o G77+China como o “principal fórum de negociação do mundo em desenvolvimento” nas Nações Unidas.
Ao tratar da governança internacional, o ministro criticou a distribuição desigual de representação, recursos e poder de decisão. “Um sistema que distribui representação, recursos e poder de decisão de forma desigual perde legitimidade”, afirmou. Segundo Lubetkin, os países em desenvolvimento devem participar da formulação das normas, e não apenas se adaptar a decisões tomadas sem sua presença.
Dívida, desenvolvimento e inteligência artificial
O endividamento e a insuficiência de recursos para o desenvolvimento também foram abordados. O ministro disse que pobreza, fome e desigualdade continuam presentes a quatro anos do prazo definido pela ONU para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em 2030.
“Não podemos aceitar que a dívida substitua investimentos essenciais em saúde, educação, proteção social ou ação climática”, declarou Lubetkin.
A inteligência artificial esteve entre os temas da reunião. O chanceler reconheceu o potencial da tecnologia para acelerar o desenvolvimento, mas alertou para o risco de concentração dos benefícios caso os países em desenvolvimento sejam apenas consumidores. O Uruguai defende uma governança internacional inclusiva e acesso mais equilibrado a dados, recursos e infraestrutura digital.
O grupo deve aprovar uma declaração ministerial sobre o assunto para orientar a atuação conjunta de seus integrantes.








