O deputado federal Filipe Barros (PL-PR) é pressionado a explicar por que apresentou, em 2024, um projeto de lei com conteúdo semelhante à Emenda Master, proposta associada ao senador Ciro Nogueira e ao Banco Master. A iniciativa do parlamentar pretendia elevar os limites de proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
A proposta de Ciro Nogueira, apresentada em 2023 durante a análise de uma PEC sobre o funcionamento do Banco Central, previa aumentar a garantia individual para correntistas e investidores de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, por CPF ou CNPJ. A Polícia Federal apontou que o texto foi elaborado dentro do Banco Master e enviado ao senador para inclusão no parecer da proposta.
A emenda acabou rejeitada pelo relator da PEC, senador Plínio Valério (PSDB-AM). Na Câmara, uma nova tentativa de ampliar os limites do FGC foi apresentada por Barros em 2024, por meio de um projeto de lei ordinária. O texto reproduzia, em grande parte, o conteúdo da proposta de Nogueira. Após o caso envolvendo o Banco Master ganhar repercussão, Barros retirou o projeto de tramitação em fevereiro.
Defesa do deputado
Em nota divulgada nesta quinta-feira (7/5), Barros afirmou que a proposta tinha como objetivo proteger investidores de menor porte. “A proposta visava, justamente, resguardar o pequeno e médio investidor de escândalos como o do Master”, declarou.
O deputado disse que desistiu do projeto por causa de interpretações que, segundo ele, alteravam o sentido da iniciativa. Também afirmou que quem critica a ampliação da garantia estaria favorecendo os grandes bancos, apontados na nota como os principais responsáveis pelo FGC.
Barros lembrou ainda que apresentou, em dezembro de 2024, uma denúncia à Polícia Federal para investigar negócios da Reag Investimentos relacionados a créditos de carbono. As investigações citadas no caso indicam que a empresa teria atuado como braço do Banco Master em fraudes contra o sistema financeiro. O parlamentar também afirmou ter sido um dos primeiros signatários da CPMI do Master.
“Quero que Daniel Vorcaro e sua gangue apodreçam na cadeia”, escreveu o deputado ao comentar o caso. Ele não respondeu às perguntas sobre a semelhança entre seu projeto e a emenda de Ciro Nogueira nem sobre a origem e a elaboração do texto.
Barros é pré-candidato do PL do Paraná ao Senado. Ele apoia Sergio Moro (PL) para o governo estadual e pode formar chapa com Deltan Dalagnol (Novo). A pré-candidatura também recebeu apoio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que publicou uma mensagem ao eleitorado paranaense no início de março.









