A sabatina do candidato ao Senado Filipe Barros (PL) terminou sem perguntas sobre sua proposta para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e sobre a relação do projeto com o caso Banco Master. Os entrevistadores cobraram o deputado sobre aliados, Supremo Tribunal Federal, pedágios, segurança pública, mudanças de posição e uso do fundo eleitoral.
Barros apresentou na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4.395/2024, protocolado em 14 de novembro de 2024, para elevar de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão, por CPF ou CNPJ, o limite de cobertura do FGC. O deputado retirou a proposta em 3 de fevereiro de 2026.
A mesma ideia foi apresentada no Senado por Ciro Nogueira (PP-PI), alcançado pela Operação Compliance Zero no episódio envolvendo o Banco Master. A semelhança entre as iniciativas colocou o projeto de Barros no debate político sobre o caso. Isso, porém, não significa que o candidato seja investigado. Não há confirmação pública de que a Polícia Federal o tenha incluído como alvo da operação.
Cobranças durante a entrevista
Os jornalistas Roberson Jannuzzi, Ana Carolina Oleksy e Marcelo Rocha questionaram Barros sobre suas antigas críticas a Sergio Moro e Deltan Dallagnol, além de abordarem a condenação de Valdemar Costa Neto no caso do mensalão. O candidato disse que as divergências ficaram para trás, defendeu Valdemar e afirmou que nunca abandonou seus princípios.
Também foi perguntado sobre os R$ 3,8 milhões recebidos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Barros respondeu que o fundo deveria ser extinto e substituído por doações privadas.
A entrevista, contudo, não abordou por que o deputado apresentou uma proposta semelhante à iniciativa de Ciro Nogueira nem por que retirou o texto. Também não houve questionamento sobre eventual contato de representantes do Banco Master, de Daniel Vorcaro ou de pessoas ligadas à instituição.
O projeto não permite, por si só, concluir que Barros tenha cometido crime ou que tenha atuado para beneficiar o banco. O ponto político é que a proposta sobre o FGC, a iniciativa semelhante no Senado, a investigação relacionada ao Master e a retirada do texto formam uma sequência que não foi explicada durante a sabatina.








