A entrevista de Filipe Barros (PL) deixou sem resposta uma questão sobre sua atuação no caso Banco Master, enquanto o candidato foi questionado sobre alianças atuais e declarações feitas contra Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e Valdemar Costa Neto.
Ao explicar por que hoje divide o palanque com Moro, depois de ter chamado o ex-juiz de “moleque com déficit de testosterona e de caráter”, Filipe afirmou que as divergências ficaram no passado. Segundo ele, os dois concordam “naquilo que é essencial” e decidiram se unir para derrotar o PT.
Os entrevistadores também perguntaram se a falta de caráter não deveria ser um ponto inegociável. Filipe não disse se mudou de opinião sobre Moro e repetiu que as divergências foram superadas.
Ataques a Deltan e relação com Valdemar
A mesma justificativa foi usada quando a entrevista recuperou críticas feitas por Filipe a Deltan Dallagnol. Em 2021, o candidato escreveu que “Moro e Deltan fizeram um acordo até com o capiroto para salvar as manchadas biografias” e afirmou que a credibilidade restante da Lava Jato havia “ido para o ralo”. Atualmente, pede votos para Deltan, seu companheiro de chapa ao Senado.
Filipe também foi questionado sobre sua relação com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL e político condenado no processo do mensalão. O candidato disse que Valdemar reconhece os erros, pagou por eles e declarou: “Sou muito grato ao presidente Valdemar”.
Diante das perguntas sobre a contradição entre seu discurso de combate à corrupção e a relação com Valdemar, Filipe direcionou a resposta para Luiz Inácio Lula da Silva. Depois, afirmou que pretende retomar o combate à corrupção e, ao lado de Moro e Deltan, “reinaugurar uma nova era em que a corrupção não será tolerada”.
Projeto sobre o fundo garantidor
A entrevista também abordou o uso de R$ 3,8 milhões do fundo eleitoral, valor que Filipe já havia chamado de “escárnio”. Não houve, porém, questionamento sobre sua atuação relacionada ao Banco Master.
Em dezembro de 2024, Filipe apresentou na Câmara o projeto de lei 4.935/2024. A proposta ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A iniciativa passou a ser relacionada à chamada “emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira. Investigações da Polícia Federal apontaram que a medida teria sido articulada pelo Banco Master. Em junho, a corporação passou a investigar a emenda e uma possível atuação política em torno da ampliação da cobertura do FGC, mecanismo usado na captação de investidores pelo banco.
Em agosto, o PT do Paraná pediu à Polícia Federal uma investigação sobre a atuação de Filipe, mencionando iniciativas parlamentares que, na avaliação do partido, poderiam ter beneficiado o Master. O pedido não comprova, por si só, qualquer irregularidade cometida pelo deputado.
A questão ganhou relevância após novas revelações sobre conversas, contratos e mensagens trocadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro com políticos e ministros do Supremo Tribunal Federal. A entrevista explorou declarações passadas de Filipe, mas não abordou o projeto e as suspeitas apresentadas em torno do caso Banco Master.









