A sabatina de Filipe Barros (PL) expôs mudanças de critério político em relação a aliados, adversários e ao uso de recursos públicos nas campanhas. A sequência de posições sobre Sergio Moro, Deltan Dallagnol, Valdemar Costa Neto e o Fundo Eleitoral levanta dúvidas sobre a coerência que o candidato pretende apresentar ao eleitor paranaense.
Filipe já defendeu Moro, rompeu com o ex-juiz e atribuiu a ele “falta de caráter”. Também criticou a aproximação de Moro com Deltan, afirmando que os dois fariam acordo “até com o capiroto”. Agora, com Moro candidato ao Governo e Deltan na disputa por uma das duas vagas ao Senado, Filipe afirma que as divergências ficaram no passado.
A mudança pode ser apresentada como revisão de posições, mas deixa sem resposta a razão pela qual uma condenação moral tão severa perdeu peso quando os antigos adversários passaram a ocupar espaço no mesmo campo eleitoral.
Outro ponto abordado foi Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. Valdemar foi condenado e preso no Mensalão. Ao defendê-lo, Filipe ressaltou sua importância para a construção do partido e afirmou que ele já pagou pelos erros. A justificativa reconhece o cumprimento da pena, mas contrasta com o rigor empregado por Filipe ao tratar da responsabilidade e da moralidade pública de adversários.
A questão financeira torna a mudança ainda mais direta. Em 2021, Filipe classificou o aumento do Fundo Eleitoral como “escárnio”, disse ser contrário ao mecanismo e afirmou que suas campanhas não usavam esse dinheiro. Cinco anos depois, sua candidatura ao Senado recebeu R$ 3,8 milhões da direção nacional do PL, com origem no próprio fundo.
Filipe pretende se apresentar como representante do Paraná no Senado e combina, em sua campanha, fiscalização do STF, segurança, infraestrutura e interesses estaduais. A experiência parlamentar e as propostas, porém, convivem com uma questão anterior: a previsibilidade dos critérios usados na política.
Mudar de posição é legítimo. O ponto que permanece em aberto é a sucessão de mudanças: a defesa, a condenação e a reaproximação com Moro; a crítica à composição com Deltan e a atual convivência política; e a rejeição ao Fundo Eleitoral seguida do recebimento de recursos do mecanismo. A entrevista tornou essa trajetória central para avaliar a credibilidade do candidato.









