A mudança do centro do escândalo envolvendo Daniel Vorcaro e o Supremo Tribunal Federal pode alterar o impacto eleitoral do caso sobre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A avaliação é que, enquanto o banqueiro permaneceu no foco, o principal atingido foi Flávio; com a crise concentrada no ministro Alexandre de Moraes, o desgaste tende a alcançar Lula.
Flávio é associado ao episódio por ter pedido R$ 134 milhões a Vorcaro e chamado o banqueiro de “irmão”. O dano político ao senador é descrito como próximo do limite, ao menos até o surgimento de novas revelações.
A situação de Lula é apresentada de maneira diferente. O presidente não é apontado como suspeito de envolvimento direto e grave com Vorcaro, mas é criticado por sua proximidade política com Moraes. A análise afirma que Lula tomou partido durante o julgamento da trama do golpe e reforçou o discurso bolsonarista de que a decisão teria motivação político-partidária.
Também é citado o encontro de Lula com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na casa de Moraes, durante a campanha eleitoral. O episódio é usado para questionar a participação de um ministro do STF em articulações políticas naquele período.
Mensagens e contratos sob pressão
A crise se agravou com as informações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. O ministro teria recebido 51 mensagens do então banqueiro em 21 dias. A avaliação apresentada é que as mensagens indicariam o repasse de informações sigilosas e tentativas de evitar a prisão de Vorcaro e a liquidação do Banco Master.
Também são mencionados um contrato de R$ 131 milhões, um jato Legacy, um helicóptero e um cartão de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos de Moraes. O ministro é ainda criticado por atacar o relator do caso Master, André Mendonça, usando um rascunho sem timbre, assinatura ou valor probatório. O material foi descartado pelo presidente do STF, Edson Fachin.
Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alcolumbre aparecem associados ao grupo político relacionado à crise de Moraes. Nesse cenário, a análise sustenta que o desgaste do ministro pode enfraquecer Lula, justamente quando sua vantagem sobre Flávio no segundo turno estaria diminuindo, com possibilidade de empate e de inversão entre os dois.
O efeito sobre as eleições ainda dependeria de novas pesquisas. A conclusão apresentada é que a crise no STF, ao deslocar o foco de Vorcaro para Moraes, pode deixar Flávio em posição eleitoral mais favorável e ampliar a pressão sobre Lula.








