LONDRES — Reino Unido, França, Canadá e outros nove países europeus anunciaram sanções ao comércio de bens produzidos em assentamentos israelenses na Cisjordânia. A medida foi comunicada nesta terça-feira, 8, e ocorre em resposta à violência de colonos contra palestinos e à expansão dos assentamentos.
Também aderiram à iniciativa Dinamarca, Espanha, Finlândia, Irlanda, Islândia, Noruega, Polônia, Portugal e Suécia. Em nota conjunta, os 12 países afirmaram que as ações do governo israelense na Cisjordânia reduzem a possibilidade de uma solução de dois Estados e apontaram uma rápida deterioração da situação no território.
O presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, concordaram sobre a necessidade de adotar medidas para impedir uma piora do cenário, segundo a declaração conjunta.
Irlanda e Espanha já haviam imposto restrições ao comércio com assentamentos israelenses. Sem uma decisão semelhante da União Europeia, considerada o maior parceiro comercial de Israel, outros países decidiram agir individualmente.
O chanceler francês, Jean-Noël Barrot, afirmou na rede X que a França encerrará o comércio com as colônias israelenses na Palestina porque a Cisjordânia está à beira de uma explosão.
Proibição britânica e pressão diplomática
O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, anunciou a proibição de importações provenientes dos assentamentos israelenses nos territórios ocupados. Na Câmara dos Comuns, ele acusou o governo de Israel de fazer vista grossa para a limpeza étnica atribuída por ele a colonos na Cisjordânia.
“O governo britânico reconhece que está ocorrendo uma limpeza étnica na Cisjordânia, perpetrada por colonos terroristas”, disse Miliband. Ele também afirmou que integrantes do governo israelense apoiaram o deslocamento forçado de palestinos.
Israel havia ameaçado o Reino Unido com represálias antes do anúncio. O presidente israelense, Isaac Herzog, disse que o país ficaria “do lado errado da história” caso adotasse as medidas. No mês passado, colonos israelenses organizaram cercos contra famílias palestinas no território, além de promover ataques com pedras e um machado, conforme o relato apresentado.
Netanyahu enfrenta críticas em Israel
Líderes da oposição israelense chamaram o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu de inapto após a divulgação de que os Emirados Árabes Unidos teriam alertado sobre um ataque planejado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
O presidente dos Emirados, Sheikh Mohammed bin Zayed Al Nahyan, teria falado diretamente com Netanyahu quase 10 dias antes do ataque e informado que o Hamas preparava uma grande operação. O gabinete do primeiro-ministro classificou as alegações como “puras mentiras” e negou que os dois tenham conversado naquela ocasião.







