Ferramentas de inteligência artificial estão sendo usadas por Israel para monitorar áreas da Cisjordânia ocupada, identificar mudanças em construções palestinas e reunir informações empregadas em ordens de demolição e deslocamentos forçados. A prática foi relatada por pesquisadores e defensores dos direitos humanos.
Uma das ferramentas é a ImiSight, desenvolvida pela fabricante israelense de armamentos Rafael. O sistema compara imagens de uma mesma área e detecta alterações em residências, instalações agrícolas e outras estruturas. Com isso, amplia a fiscalização de propriedades sem depender exclusivamente de inspeções presenciais.
Ativistas afirmam que a automatização pode acelerar procedimentos administrativos que terminam na destruição de imóveis e na retirada de famílias palestinas das áreas onde vivem. Antes da adoção na Cisjordânia, a ImiSight teria sido usada no deserto de Naqab, também chamado de Neguev, para acompanhar comunidades beduínas palestinas com cidadania israelense.
Demolições e incursões
Muitos beduínos vivem em aldeias não reconhecidas pelo governo de Israel. Nessas comunidades, poucas licenças de construção são concedidas, deixando casas e instalações comunitárias sujeitas a ordens de demolição. Ativistas denunciam caráter discriminatório na política e afirmam que ela busca deslocar essas comunidades para permitir a implantação ou ampliação de assentamentos judaicos.
As denúncias sobre a tecnologia foram divulgadas enquanto forças israelenses iniciavam a demolição de estruturas residenciais e agrícolas em Wa’er al-Bayek, no município de Anata, distrito de Jerusalém. A província de Jerusalém confirmou a informação.
Tropas israelenses também invadiram Saida e Allar, ao norte de Tulkarem. Não foram apresentados detalhes sobre os objetivos das incursões ou possíveis confrontos. O Exército israelense deteve ainda o jornalista Alaa al-Rimawi em sua residência, na cidade de el-Bireh. Não foram informadas acusações contra ele.
Na aldeia de Burqa, a leste de Ramallah, fontes locais relataram incêndios provocados por colonos israelenses em propriedades palestinas e áreas de cultivo. Na Faixa de Gaza, sistemas de inteligência artificial também já foram empregados na seleção de possíveis alvos de bombardeios, conforme investigações mencionadas por pesquisadores.








