WASHINGTON — Uma rede de jovens é acusada de roubar mais de US$ 240 milhões em bitcoin de um investidor e lavar os recursos por diferentes plataformas de negociação. Após o golpe, o grupo gastou parte da fortuna em carros esportivos, jatinhos particulares, mansões, segurança e festas.
O roubo ocorreu em agosto de 2024, depois que criminosos se passaram por representantes do Google e da corretora de criptomoedas Gemini. O investidor, identificado nos documentos judiciais como “Vítima 7”, estava em casa, em Washington, em 18 de agosto de 2024. Segundo os promotores, ele foi convencido a permitir acesso ao Google Drive e a fornecer códigos de segurança.
Com os dados, Malone Lam teria desviado mais de 4.100 bitcoins. Veer Chetal e Jeandiel Serrano também são apontados como participantes das ligações. Os investigadores afirmam que o grupo escolheu a vítima por saber que ela era uma investidora rica e experiente em criptomoedas.
Gastos e rastreamento
Lam, de 22 anos, teria gastado mais de US$ 569 mil em uma única noite em uma casa noturna de Los Angeles. Ele e os amigos também desembolsaram US$ 4 milhões em casas noturnas durante um único mês, segundo as autoridades. O grupo alugou mansões em Miami e nos Hamptons, viajou em jatinhos e comprou mais de 30 carros, incluindo Porsches personalizados, Lamborghinis e Ferraris.
Chetal deu uma Lamborghini aos pais e escondeu US$ 500 mil em dinheiro dentro da máquina de lavar roupas da família. Uma semana depois do roubo, os pais dele foram sequestrados em Danbury, Connecticut, por homens que pretendiam extorquir o jovem e obter sua parte das criptomoedas. O plano fracassou depois que testemunhas avisaram a polícia.
Em 9 de setembro de 2024, o FBI encontrou US$ 37 milhões em criptomoedas roubadas no apartamento de Chetal, em Brunswick, Nova Jersey. Ele concordou em colaborar com a investigação.
Serrano deixou de ocultar o endereço IP ao criar uma conta em uma corretora para guardar quase US$ 30 milhões em ativos roubados. Os investigadores ligaram o endereço digital a uma casa em Encino, na Califórnia, alugada por US$ 47.500 mensais.
Prisões e processo
Serrano foi preso no Aeroporto Internacional de Los Angeles em 18 de setembro de 2024. Ele usava um relógio de US$ 500 mil e depois admitiu, segundo os promotores, possuir cerca de US$ 20 milhões em criptomoedas roubadas.
Lam foi preso no mesmo dia, em uma mansão em Miami. De acordo com a denúncia, ele também usou os recursos para comprar um relógio de US$ 2 milhões. A vida de luxo durou cerca de um mês até a atuação do FBI.
Ao todo, 18 pessoas foram acusadas. Lam poderá ser o 11º réu a se declarar culpado. Um promotor estimou que, em caso de condenação, as diretrizes de sentença poderiam recomendar pelo menos 14 anos de prisão.
Chetal se declarou culpado de acusações de conspiração em novembro de 2024 e aguarda a sentença. As acusações contra Serrano continuam pendentes. Três supostos cúmplices já foram sentenciados, e dois envolvidos na lavagem de dinheiro receberam penas de aproximadamente seis anos de prisão.
Tucker Desmond, acusado de destruir provas dos crimes de outros integrantes do grupo, foi condenado a cumprir liberdade condicional. Ferro se declarou culpado de participar de uma organização criminosa e usou recursos desviados para pagar as despesas jurídicas de Lam.
A pesquisadora de segurança cibernética Allison Nixon defende mais recursos para investigar e prender envolvidos em fraudes com criptomoedas. “Se não aumentarmos seriamente os recursos para derrubar essas pessoas e fizermos isso mais rápido, o problema vai se espalhar cada vez mais”, afirmou.








