TENNESSEE — O médico Mark Fowler supervisionou duas tentativas de execução que não foram concluídas no Tennessee neste ano. Ele participou do procedimento de Tony Carruthers, em 21 de maio, e voltou a atuar na execução de Christa Pike, que terminou sem a morte da detenta após a aplicação de duas doses de pentobarbital.
No caso de Carruthers, a equipe conseguiu estabelecer uma primeira via intravenosa, mas não criou a segunda, exigida pelo protocolo estadual. As tentativas duraram mais de uma hora antes da interrupção. Fowler foi chamado para tentar estabelecer uma via central, mas também não concluiu o procedimento.
Questionamentos sobre o procedimento
Documentos judiciais registram que Fowler declarou em depoimento não inserir uma linha central havia pelo menos 13 anos. Ele também afirmou não possuir privilégios hospitalares atuais.
A atuação do médico passou a ser questionada pela defesa e pela família de Carruthers. Em denúncia apresentada pela irmã do detento ao Departamento de Saúde do Tennessee, ela afirma que Fowler tentou inserir a linha central enquanto Carruthers ainda sentia o procedimento e que houve sangramento.
A denúncia relata que o detento teria sido perfurado diversas vezes e demonstrado dor. A família também atribui ao episódio um AVC, dificuldades de equilíbrio e paralisia parcial. Essas consequências foram relatadas pela família e pela defesa, mas não foram confirmadas oficialmente.
O documento ainda questiona o uso de lidocaína. Conforme a denúncia, Fowler teria perguntado se Carruthers era alérgico ao anestésico e, sem obter resposta, aplicado a substância. O médico não comentou publicamente as acusações e afirmou que não falaria com jornalistas porque o caso estava em litígio.
Execução de Christa Pike
Em agosto, Fowler confirmou que participaria da execução de Pike, embora já tivesse se envolvido na tentativa com Carruthers. A defesa da detenta havia questionado a capacidade do estado de estabelecer o acesso intravenoso com segurança.
Na noite de 30 de setembro, Pike recebeu duas doses de pentobarbital, mas continuou viva. Testemunhas disseram que ela respirava e emitia sons semelhantes a roncos. A detenta foi levada a um hospital e permanece sob cuidados médicos.
O advogado de Pike afirmou nesta quinta-feira (1º) que ela está “criticamente doente, mas não em coma”. Segundo ele, a detenta continua inconsciente e não consegue se comunicar.
Após o procedimento, o governador Bill Lee determinou a suspensão das execuções restantes previstas para 2026 e anunciou uma revisão independente do protocolo usado pelo Tennessee.






