O governo do Iêmen anunciou uma campanha militar contra os houthis, grupo aliado do Irã, e declarou que pretende recuperar todo o território perdido nos últimos 12 anos. A ofensiva foi comunicada no domingo por Rashad al-Alimi, líder do governo internacionalmente reconhecido e apoiado financeira e militarmente pela Arábia Saudita.
Al-Alimi afirmou que as operações continuarão “até que o país seja libertado”. O anúncio reduziu as perspectivas de um acordo de trégua entre o governo e os houthis, que vêm travando combates intensos nas últimas semanas.
Disputa pelo território e pelas rotas marítimas
Os houthis assumiram o controle da costa iemenita do Mar Vermelho e, no mês passado, tomaram áreas próximas ao Estreito de Bab al-Mandeb, ponto estratégico para a navegação. A milícia também se aproximou de cercar Taiz e capturou Al-Turbah, cidade controlada pelo governo ao sul de Taiz.
A tomada de Al-Turbah deu aos houthis o controle de uma rota de abastecimento entre Taiz e Aden, sede temporária do governo. A posição deixou Taiz mais isolada do sul e ampliou a importância estratégica da cidade, situada entre áreas controladas pelos dois lados e a costa do Mar Vermelho.
O conflito começou em 2014, quando os houthis tomaram Sanaa e forçaram a saída do governo. Uma trégua estabelecida em 2022 trouxe uma paz frágil, mas os combates foram retomados este ano, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em fevereiro.
Ataques e crise humanitária
Os houthis e a Arábia Saudita também passaram a realizar ataques diretos. A milícia acusou os sauditas de promover centenas de ataques aéreos e respondeu com drones e mísseis balísticos contra alvos dentro da Arábia Saudita, além de declarar um bloqueio à navegação saudita no Mar Vermelho.
Yahya Saree, porta-voz militar dos houthis, disse no domingo, 4, que os combatentes do grupo “não deixarão de realizar novas operações dolorosas contra o inimigo saudita”. Al-Alimi agradeceu ao reino saudita pelo apoio ao Iêmen. Grande parte do governo iemenita opera a partir de Riade.
A Arábia Saudita não reconheceu publicamente participação na nova ofensiva e não respondeu a um pedido de comentário. A Grã-Bretanha anunciou apoio limitado para reabastecimento de aeronaves sauditas, enquanto autoridades americanas forneceram inteligência e auxílio na identificação de alvos.
Mais de 800 pessoas morreram desde o início dos combates no mês passado, segundo a Organização Mundial da Saúde. O Programa Mundial de Alimentos informou que mais de 150 mil pessoas foram deslocadas. Em Taiz, um morador identificado como Ala’a relatou temor de que os houthis entrem na cidade e disse ter visto vizinhos permanecerem acordados às 3 da manhã por causa dos bombardeios.
No sábado, 3, os houthis afirmaram que ataques com mísseis e drones provocaram incêndios em uma instalação da Aramco, empresa de energia controlada pelo Estado saudita, em Riade. Turki al-Maliki, porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita, rejeitou a alegação e a classificou como “enganosa”. A mídia controlada pelos houthis também informou um novo ataque saudita contra Sanaa, sem manifestação das autoridades sauditas.








