TENNESSEE — A defesa de Christa Pike quer substituir a pena de morte por prisão perpétua e impedir que o estado realize uma nova execução. A detenta sobreviveu a uma tentativa de aplicação de injeção letal e permanece internada, ligada a um respirador artificial. Os médicos ainda não sabem se ela vai recuperar a consciência.
O advogado Steve Ferrell afirmou que o hospital tenta retirar do organismo de Christa o pentobarbital, substância usada no procedimento. Segundo ele, a condição de saúde pode comprometer a participação da detenta em eventuais etapas judiciais. “Pode levar muito tempo até que ela consiga participar do processo judicial”, declarou.
Ferrell também disse que a defesa pretende retirar a pena capital do caso e avaliar a possibilidade de prisão perpétua. “O mínimo que pode acontecer agora é retirar a pena de morte da equação e começar a olhar para qual pode ser o futuro dela”, afirmou.
Um documento apresentado pelos advogados relata que os dois braços de Pike chegaram ao hospital inchados, queimados e com bolhas. A defesa alegou ainda que sete agulhas foram inseridas durante a tentativa de execução.
Condenação e investigação
Christa está no corredor da morte há cerca de três décadas e passou grande parte desse período em isolamento. Ela foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, sua ex-colega de escola, morta em 1995, aos 19 anos.
Após a falha no procedimento, o governador do Tennessee, Bill Lee, cancelou a próxima e última execução prevista no estado para este ano e determinou uma revisão independente. Até então, Lee havia afirmado que o Departamento de Correção seguira o protocolo estabelecido. O comissário do órgão deixou o cargo depois do episódio.
O Tennessee havia suspendido as execuções em 2022 para revisar os procedimentos da injeção letal e retomou esse método em 2025. Desde então, o estado passou a usar apenas pentobarbital, em vez do protocolo anterior, que combinava três medicamentos.
Funcionários penitenciários também enfrentaram dificuldades para estabelecer uma via intravenosa durante a tentativa de executar Tony Carruthers neste ano. Para Robin Maher, diretora do Death Penalty Information Center, a sobrevivência de Christa não tinha precedente na atual era da pena de morte nos Estados Unidos. As autoridades agora devem analisar as circunstâncias do fracasso e decidir as medidas a serem tomadas.






