Londrina, Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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Ataques de ursos aumentam na Sibéria em meio à falta de alimento

Escassez de pinhões e frutas silvestres, incêndios e acesso a resíduos aproximam os animais de áreas habitadas.

Ataques de ursos aumentam na Sibéria em meio à falta de alimento

Ataques de ursos deixaram pelo menos 16 pessoas mortas em diferentes regiões da Rússia em setembro, com concentração na região de Krasnoyarsk, na Sibéria central. O local registrou sete vítimas. Neste ano, ursos entraram em áreas habitadas em mais de 40 regiões russas, segundo informações da agência estatal TASS.

O Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente da Rússia informou que o país costuma registrar entre 20 e 30 ataques a pessoas por ano. A sequência recente de ocorrências mudou a percepção de moradores como Sofa, de 28 anos, que recebeu um vídeo de um urso no quintal da antiga casa dela, na região central da Sibéria. “Nunca tivemos medo de sair de casa, nem mesmo à noite”, contou.

Mortes e aproximação das áreas habitadas

Na semana passada, um urso matou uma mulher de 51 anos quando ela saía de casa em Krasnoyarsk. Dois dias antes, um segurança havia morrido em um estacionamento de caminhões situado em uma área florestal. No início de setembro, duas mulheres idosas que desapareceram separadamente durante a coleta de cogumelos foram encontradas mortas, com ferimentos compatíveis com ataques de urso.

Outras mortes ocorreram na Sibéria. Em Tuva, o pai do jogador russo da NHL Andrei Kuzmenko morreu no fim de setembro depois de ser atacado durante uma pescaria. Em agosto, em Altai, um urso arrastou uma mulher de 29 anos para a floresta e a matou.

Sergey Kolchin, zoólogo da Academia Russa de Ciências, afirmou que a média geral dos ataques não aumentou, mas reconheceu uma mudança neste ano em regiões específicas, principalmente Krasnoyarsk. Konstantin Tirronen, do Centro de Pesquisas da Carélia, avaliou que os registros estão acima da média anual, embora concentrados em áreas determinadas.

Os dois especialistas relacionaram o cenário à safra excepcionalmente ruim de pinhões e frutas silvestres durante o outono. Kolchin também citou os incêndios florestais, que reduziram o habitat disponível para alguns animais. Tirronen acrescentou que os ursos intensificam a busca por comida enquanto acumulam gordura para a hibernação.

Resíduos de alimentos acessíveis e a expansão de indústrias extrativistas em áreas antes remotas também foram apontados como fatores de aproximação. Dmitry Sergeev, funcionário de recursos naturais em Khakassia, classificou o aumento como anormal e atribuiu o deslocamento à falta de espaço para os animais. Os especialistas, porém, alertaram que não há estimativas populacionais confiáveis para relacionar diretamente os ataques ao crescimento da população de ursos.

Abate e medidas adotadas

Nos últimos dois meses, autoridades de pelo menos 10 regiões da Sibéria e do Extremo Oriente russo emitiram alertas. Toques de recolher foram impostos em partes de Altai e em Baikalsk, na região de Irkutsk. Krasnoyarsk também fechou o Parque Nacional dos Pilares de Krasnoyarsk e a Escadaria da Cordilheira Torgashinsky.

Equipes móveis de caça foram mobilizadas, e foram oferecidas recompensas superiores a 35 mil rublos, cerca de US$ 420, pela morte de ursos na região de Krasnoyarsk. O Ministério de Recursos Naturais de Altai informou que mais de 50 animais foram mortos após a morte da turista em agosto e autorizou o abate de outros 157. Em Krasnoyarsk, mais de 180 animais considerados potencialmente problemáticos haviam sido mortos no início deste mês.

Kolchin defendeu o abate de ursos agressivos em áreas habitadas como medida emergencial, mas afirmou que uma ação ampla não reduziria os incidentes no longo prazo. Para ele, é necessário impedir o acesso a lixo e resíduos, orientar a população sobre como agir diante de animais selvagens e usar medidas de dissuasão, como cercas elétricas.

O zoólogo também alertou que o abate indiscriminado pode deixar animais feridos, que teriam mais dificuldade para sobreviver e poderiam atacar pessoas em legítima defesa. Além disso, ursos que associam os ferimentos aos seres humanos podem se tornar mais agressivos.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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