O plano de Donald Trump para a Venezuela combina pressão militar, sustentação política do governo e controle sobre riquezas do país. O acordo prevê que 20% do petróleo venezuelano seja entregue aos Estados Unidos a preço de custo. Os americanos também podem ter preferência na compra dos outros 80%.
A proposta envolve a exploração de 65 bilhões de barris, volume equivalente a quase dois anos de todo o petróleo consumido no mundo. O contrato foi destinado à North American Blue Energy Partners (Nabep), empresa sediada em Barbados e controlada pelo venezuelano Alejandro Betancourt.
Betancourt cresceu como empresário a partir de 2010, durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, com contratos públicos de geração de energia. Ele é descrito como um “bolichico”, termo usado para jovens empresários que circulam no entorno do regime bolivariano.
Pressão militar e acordo político
A estratégia americana incluiu a designação de narcotraficantes como terroristas, a classificação de Maduro como “líder do crime organizado”, bombardeios de lanchas no Caribe e no Pacífico, bloqueio naval e a captura do ditador em uma operação.
Antes de capturar Maduro no início do ano, Trump enviou emissários para negociar a permanência dele no poder em troca de uma transação desse tipo. Maduro recusou. Delcy Rodríguez, então vice-presidente, apresentou-se como alternativa, e depois endossou o acordo como presidente interina.
Trump afirmou na semana passada que “a Venezuela não está pronta para eleições”. A declaração ocorreu diante da possibilidade de que os eleitores venezuelanos rejeitassem o que é descrito como uma expropriação neocolonialista.
Presidentes recém-eleitos e líderes oposicionistas conservadores da América Latina, incluindo representantes do Brasil, aderiram à estratégia de usar força militar contra o crime organizado. O plano também submete a exportação de minerais críticos e outras matérias-primas estratégicas ao monopólio dos Estados Unidos, com o objetivo de conter a influência chinesa.
A estratégia abre ainda o risco de interferência americana caso um aliado de Trump perca uma eleição para um crítico dos acordos e contratos considerados lucrativos para os Estados Unidos. O cenário é comparado ao dos anos 60.








