Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Acordo com Trump coloca empresário investigado no centro do petróleo venezuelano

Alejandro Betancourt poderá operar 17 campos na Venezuela por 100 anos em parceria com uma estrutura do Pentágono.

Acordo com Trump coloca empresário investigado no centro do petróleo venezuelano
Foto: Derwick Associates/NYT

A parceria entre o governo de Donald Trump e o empresário venezuelano Alejandro Betancourt prevê a operação de 17 campos de petróleo na Venezuela por 100 anos. O acordo pode colocar sob influência dos Estados Unidos reservas estimadas em 65 bilhões de barris e dar a Betancourt papel central na reorganização do setor petrolífero do país.

Betancourt é investigado por lavagem de dinheiro na Espanha e na Suíça. Os dois países pediram sua extradição do Reino Unido, onde ele vive, e as autoridades britânicas chegaram a prendê-lo e a restringir suas viagens. Autoridades americanas teriam atuado junto aos governos suíço e britânico para facilitar os deslocamentos do empresário à Venezuela e aos Estados Unidos, onde ele se reuniu com integrantes do governo Trump.

Como funciona o acordo

A parceria seria feita entre um escritório de financiamento do Pentágono e a North American Blue Energy Partners, conhecida como NABEP, empresa de Betancourt. Ele não seria proprietário dos campos, mas teria direitos exclusivos de exploração. O Pentágono também poderia adquirir uma participação relevante na companhia.

A escolha do empresário ocorreu porque ele já tinha experiência em acordos de petróleo na Venezuela e na ampliação da produção. O governo Trump promove o plano como uma forma de aumentar a oferta, reduzir os preços da gasolina nos Estados Unidos e recompor as reservas estratégicas do país. A iniciativa, porém, pode levar anos e há dúvidas sobre a autoridade legal do Pentágono para executá-la.

O secretário de Estado Marco Rubio citou Betancourt em uma reunião na Casa Branca e afirmou a um jornalista venezuelano que a parceria seria “profissionalizada” e funcionaria sob regras destinadas a impedir o uso inadequado do dinheiro.

Rafael Ramírez, ex-ministro de Energia da Venezuela, criticou o pacto. “Os Estados Unidos causaram estragos em nós”, disse. Ele classificou o acordo como grotesco e insustentável no longo prazo por ter sido fechado em segredo com um governo autoritário que muitos venezuelanos consideram ilegítimo.

Sara Chouraqui, porta-voz de Betancourt e consultora jurídica-chefe da empresa, rejeitou as críticas. Segundo ela, o empresário busca recuperar o potencial econômico da Venezuela, sem atuar em favor de um partido específico.

Trajetória empresarial

Betancourt estudou administração na Suffolk University, em Boston, depois de frequentar uma escola particular em Caracas. Ao retornar à Venezuela, começou vendendo turbinas e passou a atuar na construção de usinas de energia. Durante o governo de Hugo Chávez, sua empresa recebeu contratos sem licitação.

O auditor venezuelano José Aguilar afirmou que a companhia cobrou mais de US$ 800 milhões acima do valor devido de entidades estatais pelas usinas. Executivos da empresa também foram investigados na Europa e nos Estados Unidos por suspeitas de pagamento de propinas. Betancourt não foi acusado nesses casos, e Chouraqui afirma que ele nunca respondeu a uma acusação criminal em nenhuma jurisdição.

O empresário entrou no setor petrolífero em 2011, ao comprar uma participação minoritária na Petrozamora, produtora controlada pelo Estado que operava no Lago de Maracaibo. Ele perdeu a participação em 2022, durante uma disputa política no governo venezuelano, e a recuperou em 2024 por meio da NABEP, registrada em Barbados.

A empresa elevou a produção da Petrozamora de 20 mil barris por dia para cerca de 200 mil. Com isso, tornou-se a segunda maior companhia privada de petróleo da Venezuela e se aproximou da produção da Chevron, de cerca de 280 mil barris por dia.

A expansão coloca Betancourt como interlocutor entre Washington e Caracas e pode ampliar sua riqueza e influência no setor petrolífero venezuelano.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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