Aaron Sorkin apresenta O Outro Lado das Redes como uma história sobre jornalismo, e não apenas como uma nova abordagem de Mark Zuckerberg. Dezesseis anos depois de escrever A Rede Social, o diretor leva ao cinema a investigação realizada pelo Wall Street Journal em 2021 a partir de milhares de documentos internos entregues por Frances Haugen.
Mikey Madison interpreta a denunciante, enquanto Jeremy Allen White vive Jeff Horwitz, jornalista responsável por revelar informações sobre o funcionamento da empresa. Entre os dados expostos está um estudo interno que apontava prejuízos do Instagram para adolescentes e teria sido ignorado. A investigação também mostrou mudanças nas regras do algoritmo para favorecer a circulação de discursos de ódio, chamados à violência e informações falsas.
Zuckerberg em segundo plano
Interpretado por Jeremy Strong, Zuckerberg tem participação secundária e aparece em um depoimento ao Congresso americano. Na cena, defende a liberdade de expressão absoluta, sem moderação, inclusive como forma de combater a desinformação.
Sorkin afirmou que a representação do fundador é diferente daquela feita em A Rede Social. “Neste filme, ele desempenha um papel diferente”, disse o diretor. Na nova produção, Zuckerberg é apresentado como um anti-herói, e não propriamente como um vilão.
O cineasta explicou que o personagem serve para desenvolver argumentos que, ao longo da história, são confrontados com as consequências de suas decisões. O filme estreia na próxima semana em boa parte do mundo.
Uma defesa dos jornalistas
A produção segue a tradição de filmes sobre imprensa, como Todos os Homens do Presidente (1976), Spotlight: Segredos Revelados (2015) e The Post: A Guerra Secreta (2017). Sorkin afirmou que gostaria de ver mais histórias de jornalistas tratados como heróis.
No roteiro, Jeff Horwitz repete a frase: “Todo mundo tem voz, mas nem todo mundo merece um microfone”. A narrativa também passa por diferentes períodos e termina com o ataque ao Capitólio de 6 de janeiro de 2021. Donald Trump não é mencionado na cena, porque Sorkin quis evitar um debate sobre o presidente americano.
O episódio é apresentado como consequência direta da política de não moderação do Facebook, atualmente chamado Meta. Um escritório de advocacia revisou o roteiro para prevenir possíveis processos da Meta.








