A Ripple considera o Brasil um mercado estratégico para a tokenização de ativos financeiros. Dos cerca de US$ 6,7 bilhões em ativos reais tokenizados no XRP Ledger, rede blockchain da empresa, aproximadamente US$ 2,7 bilhões estão no país, afirma Markus Infanger, vice-presidente sênior da RippleX, área dedicada ao desenvolvimento de produtos.
Com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro e passagens por UBS, Goldman Sachs e Credit Suisse, Infanger defende que a blockchain pode tornar as operações financeiras mais eficientes. Na avaliação dele, a estrutura tradicional é fragmentada e reúne intermediários em diferentes mercados, o que pode prolongar a transferência de valores e ativos.
“Trilhões de dólares permanecem imobilizados ao longo desse processo”, afirma o executivo.
Pagamentos e crédito tokenizado
A Ripple busca conectar a infraestrutura digital ao sistema financeiro existente, com soluções para pagamentos internacionais, operações de crédito e produtos de investimento. A blockchain permite registrar e validar transações em uma base compartilhada entre os participantes da rede, enquanto os ativos podem ser representados digitalmente por tokens.
No Brasil, a empresa identifica forte demanda por pagamentos, especialmente com o uso de stablecoins, além do crescimento do crédito privado. A VERT, empresa brasileira de securitização, emitiu o primeiro Fundo de Investimento em Direitos Creditórios tokenizado do Brasil na XRP Ledger, com R$ 200 milhões em recebíveis, e está levando outras estruturas.
A tokenização também alcança produtos financeiros tradicionais, como fundos de investimento. Em outros mercados, a Ripple vê potencial no uso de fundos de mercado monetário como garantia sem a necessidade de resgate.
Liquidação e acesso a investimentos
A velocidade de liquidação é uma das mudanças apontadas por Infanger. Em uma operação tokenizada, uma cota de fundo ou um título pode ser concluída em três a cinco segundos, enquanto estruturas convencionais podem seguir o prazo D+1 ou mais. Nesse modelo, D+1 corresponde à disponibilidade do dinheiro um dia útil após a solicitação de resgate.
Outro efeito possível é o fracionamento. Ativos que exigem aportes elevados e ficam restritos a um grupo menor de investidores qualificados podem ser divididos em parcelas menores e distribuídos a uma base mais ampla, dentro dos limites de cada regulação.
A terceira frente é a transparência e a mobilidade. A propriedade fica registrada em um livro-razão público e auditável, e o mesmo token pode ser utilizado como garantia em operações de crédito. Com isso, ativos que muitas vezes permanecem ilíquidos até o vencimento podem ganhar novas possibilidades de liquidez.
Commodities na rede
As commodities formam outra área de expansão. Nos Emirados Árabes Unidos, mais de US$ 280 milhões em diamantes lapidados certificados foram tokenizados na XRP Ledger, criando representações digitais dos ativos físicos correspondentes.
Para a Ripple, os movimentos aproximam o mercado financeiro tradicional do ecossistema de blockchain. A estratégia apresentada por Infanger é oferecer uma infraestrutura de ponta a ponta para pagamentos, crédito, tokenização e novos produtos de investimento.








