A possível compra do Monzo pelo Nubank é avaliada por analistas como uma operação com potencial de ampliar a presença internacional da fintech, mas também com riscos elevados de integração, regulação e preço. As negociações envolvem dinheiro e ações e poderiam atribuir ao banco britânico um valor entre £ 8 bilhões e £ 10 bilhões.
O analista Gustavo Schroden, do Citi, afirmou que os ganhos estratégicos poderiam ser transformacionais. Na avaliação dele, o Monzo daria ao Nubank diversificação imediata em mercados desenvolvidos, reduziria a exposição à volatilidade cambial dos mercados emergentes e permitiria acesso a depósitos em libras esterlinas.
A transação também abriria caminho para que o Nubank aplicasse seus algoritmos de concessão de crédito de baixo custo à base de clientes do Monzo, descrita pelo analista como altamente fidelizada. No entanto, Schroden apontou que a combinação de operações bancárias em diferentes regimes macroeconômicos exigiria supervisão multinacional da solvência, segregação rigorosa de capital e gastos maiores com compliance.
Tamanho e desempenho do Monzo
Fundado em 2015, o Monzo opera na Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. O banco também está se expandindo para a Irlanda e a Espanha. A instituição tem 16 milhões de clientes: 15 milhões de pessoas físicas e 1 milhão de PJs.
No ano passado, o Monzo registrou receita de £ 1,7 bilhão, alta de 39% em relação ao período anterior. O lucro antes de impostos foi de £ 172,6 milhões, crescimento de 20%.
A instituição britânica avalia outras alternativas à venda para o Nubank. Entre elas estão uma rodada para vender até 15% da empresa a fundos de venture capital e uma oferta pública inicial na Bolsa de Londres.
Questionamentos sobre preço e execução
Um gestor comprado em ações do Nubank afirmou que ainda não há informações suficientes para avaliar a operação. Ele destacou os desafios de atuar sob a regulação do mercado inglês e disse que o banco digital está entrando nos Estados Unidos sem ter realizado antes uma aquisição desse porte.
O gestor também citou a compra da Easyinvest por R$ 2 bilhões, realizada antes do IPO do Nubank, como uma experiência negativa de fusão e aquisição, com problemas de integração e poucas entregas. Depois disso, o Nubank fez outros M&As e investimentos menores, como a compra da Hyperplane, mas com perfil de acqui-hire.
No Bradesco, o analista Marcelo Mizrahi avaliou que a operação poderia desviar a empresa dos Estados Unidos e do México. Ele também questionou a aderência do negócio ao plano de expansão do Nubank.
O valuation indicado para o Monzo corresponderia a um múltiplo P/L de 93-116x e a 5x receita. Para o Bradesco, esses níveis parecem elevados diante do crescimento do lucro e do tamanho do portfólio de crédito do banco britânico. O Nubank, por sua vez, negocia a 21x P/L e a 3,5x receita.
As ações do Nubank caem mais de 8% hoje na Nasdaq. Com o recuo, o banco vale US$ 60 bilhões, enquanto o papel acumula baixa de 21% nos últimos doze meses. Para Schroden, o sucesso dependeria de o Nubank conseguir manter seu baixo custo operacional por cliente em um ambiente bancário do G10, com regulação intensa e estrutura de custos elevada.









