Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Disputa pelo Tecon Santos 10 expõe risco de maior concentração no setor

Cálculos revisados indicam que a entrada de um novo operador reduziria a concentração, enquanto a vitória de uma incumbente teria efeito oposto.

Disputa pelo Tecon Santos 10 expõe risco de maior concentração no setor
Foto: Porto de Santos/Divulgação

A concessão do Tecon Santos 10 pode aumentar a concentração no mercado brasileiro de terminais portuários, mesmo com a exigência de venda de ativos atuais por empresas que já atuam no setor. Uma análise dos dados usados na Nota Técnica n.º 11/2026 da Casa Civil aponta que a entrada de um novo operador teria efeito concorrencial mais favorável.

O cálculo do índice Herfindahl-Hirschman (HHI) utilizado no documento atribuiu integralmente à Maersk e à MSC a participação na Brasil Terminal Portuário. Cada empresa, porém, detém 50% do ativo. A distorção fez o estudo estimar que o desinvestimento reduziria o índice em 545 pontos.

Com a correção, a vitória de uma das empresas já instaladas elevaria o HHI de 2.538 para 2.686 em 2034. Já a participação de um novo concorrente faria o indicador cair para 2.349. Pelos parâmetros do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o mercado passaria de altamente para moderadamente concentrado nesse segundo cenário.

Divergência sobre o papel do Cade

A Casa Civil defende que empresas incumbentes possam disputar o leilão e vender os ativos atuais caso vençam. A nota afirma que o Cade não encontrou motivos para limitar a participação dessas companhias. A autarquia, entretanto, reconheceu riscos em uma eventual concessão a grupos já presentes no mercado e vinculou uma conclusão a uma análise devidamente instruída.

A Lei n.º 12.529/11 também não atribui ao Cade a função de autorizar ou impedir a participação no certame.

Efeito sobre usuários

A disputa pelo ativo pode elevar o valor da outorga sem ampliar a concorrência entre operadores. Um lance maior pode incorporar a expectativa de lucros decorrentes de poder de mercado e de futuros aumentos de preços. Assim, o vencedor poderia ser o grupo mais disposto a pagar pela consolidação, e não necessariamente o mais eficiente.

Desde 2022, os quatro maiores operadores concentram mais de 75% do mercado brasileiro, nível associado a risco de cartelização. Em um cenário de cartel com sobrepreço de 10%, conforme parâmetro da OCDE, o prejuízo estimado para os usuários seria de cerca de R$ 420 milhões por ano.

A Antaq propõe priorizar novos operadores e permitir a entrada de incumbentes, com desinvestimento, apenas se não houver interessados. Para a análise, essa ordem protege melhor a competição futura. Os dados não demonstram que a venda de ativos eliminaria os riscos concorrenciais nem que uma disputa maior no leilão produziria maior concorrência no mercado.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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