A S&P National Ratings rebaixou a classificação de crédito da Azzas 2154 de “brAA+” para “brAA” e colocou a empresa em CreditWatch negativo. A medida indica a possibilidade de um novo corte na nota nos próximos 90 dias, durante o processo de separação dos negócios do grupo.
A classificação “brAA” representa qualidade de crédito ligeiramente inferior à de “brAA+” e risco maior de inadimplência. Ainda assim, a nota considera muito forte a capacidade do emissor de cumprir seus compromissos financeiros.
A agência avalia que a cisão deve ser concluída nos próximos trimestres. O processo pode afetar o perfil de risco da companhia por causa da menor escala e de um possível enfraquecimento das métricas de crédito, conforme a distribuição das dívidas e dos compromissos financeiros existentes.
A S&P também considera a operação uma alternativa para resolver os conflitos entre os acionistas de referência Alexandre Café Birman e Roberto Jatahy Gonçalves. Para a agência, esse fator prejudica a avaliação de administração e governança e pode resultar em piora na qualidade de crédito.
Resultados e possibilidade de novo rebaixamento
Após resultados considerados fracos no segundo trimestre de 2026, a agência estima que a Azzas apresentará métricas operacionais e financeiras mais pressionadas ao longo do ano. A avaliação considera um cenário macroeconômico e setorial mais desafiador e a ausência das sinergias esperadas com a fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, em 2024.
A S&P também reduziu as notas da 1ª, 2ª e 3ª séries da 138ª emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários da Riza Securitizadora, de “brAA+ (sf)” para “brAA (sf)”, e as colocou em CreditWatch negativo. A agência afirmou que a decisão decorre da revisão da qualidade de crédito dos ativos que lastreiam a operação e têm a Azzas como fiadora.
Um novo corte poderá ocorrer nos próximos 90 dias se a empresa apresentar sinais de enfraquecimento operacional e financeiro durante a cisão. A possibilidade depende de desdobramentos ainda incertos.
Estrutura da separação
A reorganização prevê duas companhias abertas independentes, listadas no Novo Mercado da B3: a Arezzo&Co, sob liderança do bloco de Alexandre Café Birman, e a SOMA, liderada pelo bloco de Roberto Jatahy Gonçalves.
A Arezzo&Co ficará com Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman, Carol Bassi, Hering e suas extensões. A SOMA reunirá Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros, Oficina, Foxton, Reserva e suas extensões.
Também está prevista uma sociedade para Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula. A participação será de 57,4% para a Arezzo&Co e 42,6% para a SOMA, com gestão e governança próprias. A cisão ainda depende de aprovação dos órgãos de administração e da assembleia geral da companhia, do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica e da aprovação da listagem das ações da SOMA no Novo Mercado da B3.








