A hotelaria brasileira deve enfrentar mudanças na tributação, na jornada de trabalho e no ambiente econômico, com possíveis efeitos sobre custos, preços, receitas e margens. A avaliação foi apresentada por Fábio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), durante palestra no Fórum Nacional da Hotelaria (FNH), promovido pelo Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB).
A transição para o novo sistema tributário ocorrerá de forma gradual. Segundo Bentes, o modelo atual continuará em vigor até 2033, enquanto as novas regras serão implementadas. “Será uma mudança lenta, então os dois sistemas irão coexistir durante um período, deixando tudo mais complexo”, afirmou.
Para os hotéis, o impacto da Reforma Tributária dependerá de quatro fatores: a alíquota reduzida, os créditos nas entradas, a possibilidade de repasse aos preços e o dinheiro disponível em caixa. A combinação desses elementos poderá influenciar a capacidade dos empreendimentos de absorver custos, definir tarifas e preservar margens.
Receitas e fluxo de estrangeiros
Durante o evento, Bentes afirmou que a geração de receitas da hotelaria vem avançando acima do desempenho geral da economia brasileira. A expectativa apresentada pelo economista é de continuidade desse crescimento, especialmente diante do aumento do fluxo de estrangeiros que visitam o país.
“Quando a gente olha a geração de receitas na hotelaria, percebemos que o setor está evoluindo acima da economia, de modo geral”, disse. Para os empreendimentos, a demanda precisa ser analisada junto com os custos e as despesas da operação, incluindo os efeitos sobre ocupação e geração de receita.
A possível mudança na jornada de trabalho também foi apontada como um ponto de atenção. Na avaliação de Bentes, a redução da jornada sem aumento proporcional de produtividade pode elevar a pressão sobre os custos dos hotéis. A operação tem pouca flexibilidade para reduzir horas em áreas como atendimento, limpeza, recepção, segurança e alimentação.
O economista afirmou ainda que a hotelaria já enfrenta dificuldade para captar mão de obra qualificada. Como os serviços são prestados de forma contínua, alterações na jornada podem afetar a organização das equipes e a estrutura operacional dos empreendimentos.
Juros e endividamento
Bentes também citou a alta taxa de juros e o crescimento do endividamento como fatores que contribuem para a desaceleração da atividade hoteleira. Os dados apresentados no FNH indicam que o índice de endividamento alcança 82% das famílias brasileiras.
Nesse cenário, o aumento simultâneo dos custos operacionais e da carga efetiva de trabalho pode pressionar as margens antes que os preços consigam absorver integralmente as despesas. A formação de tarifas dependerá do equilíbrio entre custos, demanda e capacidade de repasse ao consumidor.
As análises apresentadas no evento reuniram fatores tributários, trabalhistas e macroeconômicos. Para a hotelaria, o acompanhamento da transição tributária, das possíveis mudanças na jornada e do comportamento da demanda será necessário para avaliar os impactos sobre custos, receitas, preços e margens nos próximos anos.









