O câncer gástrico matou 13.850 pessoas no Brasil em 2020, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Para o triênio de 2023 a 2025, foram estimados 21.480 novos casos por ano no país. Entre os fatores relacionados à doença estão a infecção por H. pylori, o histórico familiar, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e hábitos alimentares inadequados.
A bactéria Helicobacter pylori está presente em mais de 50% da população brasileira, conforme estimativa da médica gastroenterologista e hepatologista Ana Flávia Passos Ramos, membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Na maior parte dos casos, a infecção não provoca sintomas e não necessariamente evolui para quadros graves.
A transmissão pode ocorrer pelo consumo de água ou alimentos contaminados, pelo contato íntimo com secreções orais ou pela via oral-fecal. A H. pylori provoca uma inflamação crônica que pode persistir e desencadear a chamada cascata de Pelayo Correa. Nesse processo, podem ocorrer metaplasia intestinal, displasia e neoplasia, alterações relacionadas ao adenocarcinoma, o tipo mais comum de câncer gástrico, e ao linfoma MALT.
Quando investigar
Os sinais costumam aparecer quando a infecção causa complicações, como úlceras ou tumores. A úlcera pode provocar dor na região do estômago, com melhora temporária após a alimentação e retorno posterior do incômodo.
Nas fases iniciais do câncer gástrico, geralmente não há sintomas. Em estágios mais avançados, podem surgir dor ou desconforto abdominal persistente, perda de peso sem explicação, dificuldade para engolir, sensação de saciedade rápida, náuseas ou vômitos frequentes, anemia sem causa conhecida e sangramento digestivo.
A identificação da bactéria pode ser feita por exames não invasivos, como o teste respiratório, também chamado de teste do sopro, e a pesquisa de antígeno nas fezes. A endoscopia digestiva alta é um método invasivo que permite examinar o esôfago, o estômago e a porção inicial do intestino delgado. O procedimento pode incluir biópsia gástrica para verificar a presença da H. pylori.
No Brasil, não há indicação de rastreamento geral em pessoas sem sintomas. A investigação é recomendada em situações específicas, como a existência de sintomas gástricos ou histórico familiar. O tratamento utiliza antibióticos e anti-secretores.
Prevenção
Ana Flávia orienta evitar o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, biscoitos e refrigerantes; defumados, como bacon e presunto; e fontes de gorduras saturadas. O tabagismo aumenta o risco de vários tipos de câncer e está associado a piores desfechos. O consumo excessivo de álcool também pode elevar o risco da doença.








