A Chevrolet enfrenta pressão da própria rede de concessionárias após perder participação no mercado brasileiro e se aproximar da BYD no ranking de marcas. Lojistas defendem mudanças no tamanho da operação e aguardam uma proposta para encerrar pontos de venda, enquanto a fabricante tenta sustentar a terceira posição com incentivos comerciais.
Em uma pesquisa da Fenabrave, a rede Chevrolet teve a pior avaliação na afirmação de que os produtos da montadora correspondem ao que os clientes procuram. A rede também ficou abaixo da média em perguntas sobre a remuneração obtida com a venda de veículos e sobre a valorização futura da marca.
A insatisfação ocorre em uma estrutura com mais de 550 concessionárias. Na região 1, que inclui São Paulo, ABC Paulista e Baixada Santista, algumas lojas registraram menos de dez vendas mensais para pessoas físicas. O restante do volume foi destinado a empresas.
Dependência das vendas diretas
Em 2026, a Chevrolet vendeu 197 mil carros, dos quais cerca de 110 mil foram comercializados diretamente, o equivalente a 56,4%. Para o varejo, restaram aproximadamente 87 mil unidades. A média foi de quase 20 veículos mensais por loja, considerando cerca de 550 concessionárias.
Uma fonte da rede afirmou que a estrutura atual deixou de ser compatível com o tamanho da marca. “A conta não fecha”, disse, ao mencionar a combinação entre uma rede de 500 e poucas lojas e uma participação de 10% do mercado.
O desempenho comercial contrasta com o resultado de 2019, quando a Chevrolet liderou o mercado. Naquele ano, o Onix vendeu mais que o dobro do Ford Ka. Depois, a marca perdeu a liderança para a Fiat Strada, que passou a ocupar o primeiro lugar entre os modelos e não foi ultrapassada novamente pelo Onix.
Entre 2019 e 2025, as vendas anuais da Chevrolet recuaram 41,2%, de 475.684 para 275.965 veículos. A participação caiu de 17,8% para 10,8%. Em 2025, a Fiat liderou entre as marcas, com 20,9%, seguida pela Volkswagen, com 17,1%.
Pressão sobre a rede
A retração da Chevrolet ocorreu em um mercado de tamanho próximo. As vendas de automóveis e comerciais leves passaram de 2.658.923 unidades em 2019 para 2.549.462 emplacamentos em 2025.
Lojistas avaliam que a saída pode envolver o fechamento de algumas unidades. A fabricante ainda não sinalizou uma redução dos pontos de venda e, conforme os concessionários, tenta resolver a situação com a saída de alguns grupos e a transferência das lojas para outros integrantes da rede.
Os revendedores esperam negociar uma indenização para quem decidir encerrar a operação. Parte dos grupos também passou a dividir espaços com marcas chinesas. A Carrera, de São Paulo, abriu pontos da GWM e da Omoda Jaecoo ao lado de unidades que eram exclusivas da Chevrolet.
O Sonic, principal lançamento da Chevrolet em 2026, ficou abaixo de 3 mil emplacamentos mensais nos últimos meses. O resultado foi inferior ao do Nissan Kait e ficou distante de Fiat Pulse e Volkswagen Tera.
BYD se aproxima
Em agosto de 2026, a Chevrolet ficou quase 5 mil carros à frente da BYD, mas precisou oferecer incentivos e bônus aos vendedores para acelerar as vendas nos dois últimos dias do mês. A diferença para Fiat e Volkswagen era maior: a Chevrolet ficou quase 14 mil veículos abaixo das marcas alemã e italiana mencionadas no ranking.
A empresa também prepara novos produtos em parceria com marcas chinesas. Entre eles estão o Captiva PHEV e um hatch elétrico compacto que poderá se chamar Joy EV. Um sedã multienergia, com versões elétricas e híbridas plug-in, está em desenvolvimento.
Outra possibilidade discutida para a rede é a transformação de parte das lojas Chevrolet em unidades da Buick. A chegada da marca premium ao Brasil não deve ocorrer antes de 2028, segundo a confirmação recebida por concessionários durante uma viagem à China.








