O governo ampliou o valor máximo dos veículos financiáveis pelo Move Brasil de R$ 150 mil para R$ 200 mil e estendeu o prazo de pagamento de 72 meses para 84 meses, o equivalente a sete anos. As mudanças foram adotadas após o programa aprovar apenas R$ 2,2 bilhões dos R$ 30 bilhões destinados à compra de carros novos por taxistas e motoristas de aplicativo até julho de 2026.
Os dados foram apresentados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) nesta terça-feira (8), com base em informações do BNDES. O valor aprovado corresponde a 7,3% dos recursos previstos.
Crédito depende da avaliação dos bancos
A participação no programa não garante a liberação do empréstimo. Depois de atender aos critérios de elegibilidade, o profissional precisa passar pela análise da instituição financeira, que considera fatores como renda, capacidade de pagamento, endividamento e histórico financeiro.
Igor Calvet, presidente da Anfavea, afirmou que o programa oferece condições mais atrativas, mas não elimina a avaliação de risco. “Parte da explicação não é o crédito, é acessá-lo”, disse durante a apresentação.
No início da operação, em junho, também houve demora nos sistemas de análise e dificuldades de integração entre bancos e BNDES. A entidade afirma que os financiamentos para esse público apresentam, em média, risco maior para as instituições. Por isso, o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) precisou ter sua utilização ampliada para oferecer garantias aos bancos.
A Anfavea rejeita a hipótese de que a baixa aprovação esteja relacionada à falta de interesse das montadoras ou a problemas de estoque. Igor Calvet também disse que ainda não é possível determinar quanto dos R$ 30 bilhões foi efetivamente consumido: o dado disponível representa o crédito aprovado até julho.
Mais modelos passaram a se enquadrar
Com o novo limite, veículos de categorias superiores, como SUVs médios e híbridos, passaram a ser incluídos na linha. O governo informou que a parcela dos modelos disponíveis no mercado brasileiro dentro das regras subiu de 63% para 88%.
Um levantamento da Data Machine apontou que híbridos e elétricos representam 41,4% das corridas de aplicativo. A Anfavea avalia que a ampliação do teto pode favorecer a adesão ao programa e a renovação da frota urbana.
A média dos financiamentos contratados fica entre R$ 100 mil e R$ 102 mil, segundo a entidade. Mais de 60 carros são oferecidos com condições especiais para taxistas e motoristas de aplicativo, e 17 modelos adicionais passaram a atender ao limite de R$ 200 mil.
Proposta de parcelas flexíveis aguarda sanção
O Senado aprovou, em 1º de setembro, a MP 1.366/2026, que incorporou medidas do Move Brasil e permite aos bancos oferecer prestações de valores diferentes no começo e no fim do contrato. A proposta foi convertida no PLV 10/2026 e segue para sanção presidencial.
O texto também prevê a inclusão do seguro do veículo, do seguro prestamista e dos custos de adaptação para motoristas com deficiência e táxis destinados ao transporte de cadeirantes. A possibilidade de parcelas flexíveis ainda não está disponível nos bancos.
O Move Brasil foi criado para financiar veículos novos a taxistas e motoristas de aplicativo com juros inferiores aos normalmente praticados no mercado. Após cumprir os requisitos do programa, o interessado deve procurar uma instituição financeira participante, que decide pela aprovação ou recusa do empréstimo.








