O mercado financeiro reagiu à eleição com forte valorização de ativos brasileiros. O dólar spot caiu de R$ 5,21 na sexta-feira para R$ 4,98 na abertura de hoje, enquanto os juros longos recuaram 100 bps e a Bolsa subia 8% no final da manhã.
A alta foi associada à expectativa de que Flávio Bolsonaro fique à frente de Lula e ao aumento da probabilidade de mudanças na política econômica. O movimento provocou uma reprecificação dos ativos mais sensíveis à queda dos juros longos e de empresas altamente endividadas.
Entre as maiores altas, Magazine Luiza avançou 25%, Cosan subiu 21%, XP ganhou 25% e Cyrela, 22%. Movida registrava alta de 23% no final da manhã, enquanto Localiza subia 20%.
Um gestor afirmou que o mercado passou a considerar a possibilidade de o país ficar livre do PT por um período prolongado, associando esse cenário a um ajuste da economia. “Qual é o valor disso? Enorme”, disse.
Limites e estratégias de compra
A B3 alterou o limite de alta do Ibovespa futuro de 10% para 13% no pregão de hoje e também mudou o limite de oscilação dos juros. Um gestor classificou o novo limite como uma mensagem subliminar.
Gestores de ações começaram o dia avaliando compras em empresas como Banco do Brasil, BTG, Cyrela, Localiza, Lojas Renner, RD e Vivara. Também foram citadas Petrobras, Itaú e outras empresas de maior peso no Ibovespa, que podem se beneficiar do fluxo externo.
Os gestores vinham ampliando a exposição à Bolsa e a companhias mais sensíveis à queda dos juros nas últimas semanas, conforme Flávio Bolsonaro crescia nas pesquisas. Ainda assim, mantinham estruturas de opções em Ibovespa e evitavam grandes apostas direcionais diante da incerteza.
O Morgan Stanley passou a projetar o Ibovespa em 215 mil pontos no cenário-base e em até 250 mil pontos caso aumente a probabilidade de mudança na política econômica. Para o banco, o setor financeiro apresenta a melhor relação entre risco e retorno, com destaque para XP, BTG, B3 e Nubank. A instituição também prevê que o dólar possa chegar a R$ 4,50 no primeiro semestre de 2027.
Em um evento, Ricardo Lacerda, CEO do BR Partners, disse que uma queda dos juros vai reprecificar os ativos e avaliou que muitas mudanças serão necessárias para equilibrar o orçamento. Marcos Falcão, CEO do IRB, afirmou que haverá euforia nos mercados antes de uma nova avaliação do cenário.









