O Itaú Unibanco manteve a projeção de que o dólar encerrará 2026 em R$ 5,30 e 2027 em R$ 5,50. O banco avalia que o real teve desempenho melhor ao longo do mês, mas continua sujeito à pressão do cenário externo e às decisões sobre a política fiscal brasileira.
A instituição atribui o desempenho recente da moeda brasileira aos termos de troca e a uma percepção mais construtiva sobre o risco doméstico, em movimento semelhante ao observado em outros ativos do país. No exterior, porém, o dólar ganhou força com o aumento dos juros nos Estados Unidos.
Para o Itaú, a condução da política fiscal no próximo mandato será determinante para a trajetória do câmbio. O banco também considera elevada a incerteza sobre os rumos da política econômica nos próximos anos.
Projeções para o setor externo
O Itaú elevou a estimativa para o saldo comercial, de US$ 84 bilhões para US$ 89 bilhões em 2026, e de US$ 80 bilhões para US$ 84 bilhões em 2027. A revisão incorpora um terceiro trimestre mais forte e a permanência de preços elevados para as exportações.
Para o déficit em conta corrente, a projeção passou de US$ 65 bilhões para US$ 64 bilhões em 2026 e de US$ 72 bilhões para US$ 75 bilhões em 2027. Segundo o banco, o resultado é afetado pela aceleração das importações de pequeno valor e pelo aumento do déficit na conta de juros.
A instituição prevê piora do saldo em conta corrente ao longo do próximo ano, associada à redução do superávit comercial e à ampliação dos déficits de serviços e rendas.
Riscos fiscais
O banco manteve a estimativa de resultado primário em déficit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e de -0,6% em 2027. No curto prazo, considera que os riscos estão mais concentrados em uma possível frustração da agenda de aumento de receitas e na postergação da reoneração dos combustíveis, caso os preços internacionais permaneçam elevados por mais tempo.
No cenário-base, o Itaú considera que a ampliação recente de benefícios sociais será compensada por cortes ou pela redução de despesas em outras áreas do orçamento. A instituição também mantém no radar a necessidade de um ajuste fiscal relevante para estabilizar a dívida pública.
“a incerteza sobre os contornos futuros da política econômica segue como o principal ponto de atenção”, afirma o Itaú.








