A estabilidade do câmbio será determinante para a continuidade da redução da Selic, segundo avaliação do Bradesco. No cenário projetado pelo banco, a taxa de câmbio deve oscilar entre R$/US$ 5,00 e R$/US$ 5,20, faixa que abriria espaço para novos cortes nos juros.
O Bradesco passou a considerar um corte adicional na taxa básica e reduziu de 13,75% para 13,25% a previsão para a Selic no fim de 2026. Para 2027, a instituição manteve a estimativa em 11%. A revisão consta em relatório divulgado nesta sexta-feira.
“Quanto à Selic, a estabilidade da moeda é um fator crítico”, diz o documento. A avaliação é que, com a economia desacelerando de forma mais intensa e sem uma desvalorização cambial relevante, o Banco Central tenderia a prosseguir com a redução dos juros.
O banco, porém, considera que o espaço para esse movimento pode encolher diante de uma reprecificação do dólar ou de uma piora do real provocada por dúvidas fiscais. Por isso, a projeção depende da manutenção de um ambiente cambial estável.
Pressão externa
O Bradesco também apontou aumento da incerteza no cenário internacional. Entre os fatores citados estão os juros longos pressionados nos EUA e o início de um ciclo de ajuste dos juros pelo banco central norte-americano, o Fed.
A relação histórica entre esse movimento e o dólar sugere possibilidade de fortalecimento da moeda americana. Para o Bradesco, esse cenário poderia dificultar a continuidade da calibração dos juros no Brasil, caso provoque desvalorização cambial significativa.








