A inflação medida pelo IGP-10 avançou 1,47% em setembro, pressionada principalmente pela alta de 1,90% nos preços no atacado. O resultado reforçou a cautela do Banco Central na condução da Selic, que caiu para 13,75% ao ano após o quinto corte consecutivo, limitado a 0,25 ponto porcentual.
Em 12 meses, o índice acumula alta de 3,29%, acima da meta central de 3%. O movimento dos preços no atacado pode chegar posteriormente ao custo de vida, medido pelos preços ao consumidor.
O Banco Central acompanha as condições econômicas no Brasil e no mercado global. Entre os fatores considerados estão os conflitos no Oriente Médio e o fortalecimento do El Niño, apontado como uma ameaça à nova safra de grãos.
Composição do índice
O IGP-10 considera quatro semanas contadas a partir do fim de agosto. Os preços no atacado, que têm peso de 60% na composição do indicador, subiram 1,90%. O Índice de Preços ao Consumidor, com participação de 30%, avançou 0,44%. Já o Índice Nacional do Custo da Construção, responsável por 10% do índice, registrou alta de 0,50%.
Ao mencionar o “significativo aumento da incerteza” observado recentemente, os integrantes do Comitê de Política Monetária evitaram antecipar os próximos passos. O Copom afirmou que a “magnitude total do ciclo de calibração” será definida com base em novas informações.
As projeções do mercado financeiro continuam acima da meta de 3%. No boletim Focus, a estimativa de inflação para 2026 ficou em 4,90%, enquanto a previsão para 2027 foi de 4,30%.
A redução da Selic ocorre em um período eleitoral. Ainda assim, as projeções de inflação para 2026 e 2027 não têm interferido nas decisões do presidente Luís Inácio Lula da Silva, conforme a avaliação apresentada no texto.








