A IG4 Capital estruturou um fundo para financiar a compra de títulos de dívida da Raízen e avalia assumir o controle da companhia por meio da conversão de parte dos créditos em ações. A gestora pretende apresentar uma oferta vinculante em até três semanas, conforme o plano de recuperação extrajudicial da empresa.
A estratégia considera a entrada antes da separação dos negócios prevista no acordo com os credores. A Raízen deverá ser dividida em duas frentes, e a IG4 quer concentrar sua atuação na operação de usinas sucroalcooleiras. Para a gestora, a reestruturação do negócio de açúcar e álcool, considerado mais deteriorado, poderia avançar mais rapidamente dessa forma.
A companhia também reúne uma rede de postos que utiliza a marca Shell. Como Shell e Cosan são donas da Raízen, a IG4 teria de negociar com a sócia britânica caso a proposta avance. Conversas com a Shell já foram mantidas, conforme uma fonte com conhecimento do assunto. O plano de recuperação extrajudicial homologado prevê restrições à entrada de outro controlador.
Estrutura para os credores
Cerca de seis profissionais já trabalham na preparação da reestruturação das usinas. Eles poderão integrar a equipe de executivos do negócio caso a oferta seja aprovada.
A aquisição dos títulos não seria a única alternativa estudada pela IG4. A gestora também deve propor a administração da participação dos credores que decidirem não vender seus papéis. Nesse formato, parte deles poderia se tornar cotista de um fundo responsável pelo controle da Raízen.
A estrutura é semelhante à operação realizada na Braskem. Naquele caso, a IG4 assumiu uma dívida garantida por ações recebidas por bancos como pagamento de um empréstimo concedido à Novonor, antiga controladora da petroquímica.
A Raízen tem dívida líquida de R$ 65,14 bilhões e é o maior caso de recuperação extrajudicial do País. Nesse tipo de processo, o plano precisa ser aprovado por 50% mais 1 dos credores e depois homologado pela Justiça. A IG4 não comentou a proposta.








