O resultado do primeiro turno, com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula (PT), pode levar o Ibovespa a superar 200 mil pontos, segundo analistas de diferentes gestoras. As projeções incluem alta das ações de estatais, queda dos juros e valorização do real, com o mercado antecipando uma possível vitória de Flávio e a adoção de reformas econômicas.
Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, prevê impacto favorável sobre empresas estatais, como Banco do Brasil e Petrobras, além de alívio nas taxas intermediárias e longas de juros. Ele afirmou que a combinação entre maior presença da direita no Congresso e expectativa de ajuste nas contas públicas elevou a confiança em uma mudança na trajetória da dívida.
Mendes também estimou que a taxa de DI para janeiro de 2031 poderia recuar para perto de 13,5% na abertura do pregão de segunda-feira, 5. Para ele, a melhora na percepção fiscal e a manutenção de um ambiente institucional favorável poderiam acelerar a queda dos juros, embora a direção de redução da Selic já fosse esperada independentemente do vencedor.
Bolsa e juros
Ricardo Modé, chefe de investimentos da Etti Partners, espera forte alta na abertura dos negócios. Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, também prevê reação positiva, especialmente entre small caps ligadas à atividade local, além de queda nas taxas longas.
Anderson Brito, responsável pelo banco de investimento do UBS-BB, projeta alta de pelo menos 5% na Bolsa na segunda-feira, 5. Na avaliação dele, a votação indica perda de suporte de Lula e possibilidade de Flávio atrair eleitores dos demais candidatos. Brito afirmou que, se Flávio for confirmado presidente, a Bolsa poderia terminar o ano acima de 200 mil pontos, com o retorno das ofertas iniciais de ações (IPOs).
Felipe Balassiano, chefe de multimercados da Asa, disse que será muito difícil Lula vencer o segundo turno. Ele associou o cenário à alta da Bolsa, à valorização do real e ao fechamento dos juros nominais e reais, impulsionados pela expectativa de maior disciplina fiscal.
“A reação será guiada pela expectativa de maior disciplina fiscal no próximo governo”, afirmou Balassiano.
Incertezas no segundo turno
Elisa Machado, sócia e economista-chefe da KAT Investimentos, avaliou que a liderança de Flávio acima das expectativas reduz parte das incertezas precificadas pelo mercado, principalmente o risco fiscal. Ela ponderou, porém, que a volatilidade pode continuar elevada durante a nova etapa da disputa e que uma aproximação entre os candidatos nas pesquisas poderia devolver parte dos ganhos esperados.
Para Machado, o fator central para os preços não é o nome do candidato, mas a probabilidade de mudança na trajetória fiscal. Ela também destacou o mapa político das eleições estaduais e um novo Senado majoritariamente de centro-direita como elementos que podem influenciar a capacidade de articulação e aprovação de reformas a partir de 2027.
Até o segundo turno, a economista aponta como fatores relevantes o destino dos votos dos candidatos eliminados, especialmente os de centro, a base do próximo presidente no Congresso e a credibilidade da equipe econômica. Entre os temas observados pelo mercado estão a dívida pública, a disciplina fiscal, o controle de gastos e as perspectivas de crescimento.
Modé afirmou que o desempenho de Flávio revelou um favoritismo ainda não capturado pelas pesquisas e que os ativos brasileiros podem continuar avançando nos próximos pregões. Segundo ele, o avanço do PL no Senado reforça o cenário, embora a evolução nas próximas semanas também dependa das pesquisas eleitorais e do ambiente externo.
O gestor disse ainda que os juros podem cair mais caso haja execução fiscal capaz de melhorar o resultado primário. Em um cenário de ajuste, avaliou, as taxas poderiam ficar abaixo de dois dígitos, nível que ainda não estaria incorporado aos preços.








