A exploração da Foz do Amazonas pode gerar valor presente líquido de US$ 15,9 bilhões para a Petrobras, considerando um Brent médio de US$ 70 por barril. O cálculo se refere apenas à porção noroeste da bacia, uma de suas três subdivisões, e corresponde a cerca de 14% do valor da companhia, com acréscimo de R$ 6,65 por ação.
O potencial aumenta para US$ 20,3 bilhões se o Brent alcançar US$ 80. Os analistas Jorge Gabrich e Pedro Nascimento, do Scotiabank, estimam que essa área possa receber cinco navios-plataforma e produzir 4,73 bilhões de barris ao longo do programa exploratório. O pico seria atingido em 2038, com 842 mil barris por dia de óleo ou 899 mil barris por dia incluindo gás.
A primeira perfuração na região confirmou a descoberta de Morpho. A Bacia da Foz do Amazonas também inclui as áreas do cone do Amazonas e sudeste. Ela é a primeira fronteira a ser explorada na Margem Equatorial, que abrange ainda as Bacias do Pará-Maranhão, de Barreirinhas, do Ceará e Potiguar, entre as costas do Amapá e do Rio Grande do Norte.
Investimentos e decisões
O modelo considera capex de US$ 36 bilhões, com desembolsos de até US$ 4 bilhões em 2034 e primeiro óleo em 2033. Para os analistas, a decisão de investimento precisa ocorrer anos antes, durante o próximo Governo. O plano de negócios da Petrobras para entre 2027 e 2031 e as sinalizações posteriores sobre a contratação de equipamentos devem indicar mais sobre o futuro da empresa do que a eleição, afirmaram.
“qualquer que seja o resultado das eleições”, disseram os analistas ao avaliar que a Petrobras precisará explorar as reservas. Atualmente, o preço da ação não incorporaria valor da nova fronteira de produção, segundo o banco.
O preço-alvo definido pelo Scotiabank é de R$ 54,68. Considerando 40% de chances de sucesso apenas na porção noroeste, o preço-alvo sob risco chega a R$ 57,34, com upside de 22% em relação ao valor por ação registrado no dia da elaboração do relatório.
O principal risco apontado é que a descoberta não avance para um desenvolvimento comercial na escala projetada. Recursos menores, recuperação inferior e atrasos em aprovações ou no primeiro óleo poderiam reduzir a capacidade de prolongar o platô de produção.
A Petrobras e especialistas avaliam que a Margem Equatorial tem potencial geológico semelhante ao de descobertas nas vizinhas Guiana, Guiana Francesa e Suriname. Na Guiana, a produção passou de menos de 100 mil barris no começo da década para 900 mil atualmente, com projeção de 1,7 milhões em 2030. O PIB do país cresceu, em média, 47% por ano desde 2022.









