A Margem Equatorial deverá ganhar relevância para a Petrobras à medida que a exploração do pré-sal entrar em declínio. A presidente da companhia, Magda Chambriard, aposta em descobertas importantes na região para garantir a reposição de reservas e sustentar a cadeia de petróleo e gás.
A descoberta do pré-sal ocorreu em 2006, depois de o Brasil dedicar recursos e desenvolver tecnologias para reduzir a dependência externa de petróleo. O processo ampliou as reservas de óleo e gás, elevou a segurança energética, aumentou a arrecadação pública e impulsionou a indústria, a inovação e a economia nacional nos anos 2000.
O primeiro poço do pré-sal custou cerca de US$ 240 milhões e levou o país à exploração em águas ultraprofundas. Para viabilizar a atividade, a Petrobras aumentou os investimentos em exploração e produção de uma média anual de US$ 1,7 bilhão nos anos 1990 para US$ 19,5 bilhões nos anos 2010.
A capacidade de investimento foi afetada, a partir de 2014, pela crise das commodities e pela Operação Lava Jato, que também ampliaram o endividamento da companhia. Depois do reequilíbrio financeiro, a estratégia passou a priorizar a geração de valor e a redução da dívida no curto prazo. Entre 2016 e 2022, privatizações, cortes de investimentos e mudanças regulatórias contribuíram para a desnacionalização das reservas. A venda de 266 ativos também desarticulou a integração vertical da estatal.
Em 2025, com o início da exploração na bacia da Foz do Amazonas, os investimentos em exploração e produção chegaram a US$ 17 bilhões. A abertura de novas fronteiras exige recursos elevados, envolve riscos e tem longo prazo de maturação, mas pode repor reservas e manter a cadeia de petróleo e gás.
Ticiana Alvares e Mahatma Ramos, diretores técnicos do Instituto de Pesquisa em Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep), defendem que a Petrobras seja avaliada além dos resultados financeiros de curto prazo. Para eles, segurança energética, controle público das reservas, inovação, desenvolvimento industrial, empregos, renda e avanços em tecnologias de baixo carbono também devem orientar a atuação na Margem Equatorial.








