Banco Mundial e FMI aprovaram uma reforma no instrumento usado para avaliar a sustentabilidade da dívida de países de baixa renda. A mudança amplia a análise sobre os efeitos de investimentos em desenvolvimento e em adaptação às mudanças climáticas.
A revisão, a primeira desde 2017, também estabelece novos limites para o estresse da dívida pública total e diferencia com mais precisão os países sob risco de sobre-endividamento daqueles cuja dívida já é considerada insustentável.
Segundo o FMI, cerca de 14% dos países de baixa renda estão em situação de sobreendividamento, enquanto outros 33% enfrentam risco elevado. Entre os países emergentes, aproximadamente 23% apresentam alto risco de estresse soberano.
Pressão sobre os juros
O Relatório Anual de 2026 do FMI, divulgado em setembro, resume o cenário com o título Navegando em um Mundo Precário. O documento afirma que a dívida pública global voltou a crescer depois de uma queda breve em relação aos níveis recordes registrados durante a pandemia.
“Em apenas três anos, os pagamentos de juros aumentaram de cerca de 2% para quase 3% do PIB”, diz o relatório. O FMI também afirma que esses pagamentos representam “trilhões de dólares em todo o mundo que não podem ser gastos em educação, infraestrutura ou outras prioridades”.
O diagnóstico da instituição é de que o quadro fiscal é preocupante em países de todos os níveis de renda. Pelos critérios do Banco Mundial, o Brasil é classificado como país de renda média-alta e não está sujeito ao novo modelo.
Ainda assim, a avaliação apresentada pelo FMI relaciona o risco fiscal à definição de prioridades e ao financiamento de projetos de grande porte. O país deixou de ser classificado como de baixa renda e, após quatro décadas de democracia, integra o grupo das dez maiores economias do mundo, além de ter presença global no comércio e no volume de investimentos.








